Ser empreendedor: sonho ou opção?

Inicio minha participação no Digaí questionando uma das afirmações mais comuns entre boa parte das pessoas que atuam como funcionários em empresas. Afinal, o sonho ou projeto de ter o seu próprio negócio, ser dono do próprio nariz, não ter mais chefe chato, fazer o seu horário é algo que está entre os principais desejos em várias pesquisas dentro e fora do Brasil.

 

Minha intenção neste blog é dividir com estas pessoas várias situações minha e de vários outros empreendedores vividas nos meus últimos 10 anos que me levaram de um bem-sucedido profissional de consultoria nacional e internacional a um empreendedor que atua prioritariamente na área de educação. E digo prioritariamente, pois o empreendedor pode fazer movimento que o levam para várias áreas. Assim, espero contribuir com situações reais que possam colaborar com aqueles que buscam realizar este sonho! Em resumo, espero contar várias histórias que possam ajudá-los a adentrar neste universo que antes era totalmente desconhecido para mim, que havia desenhado a vida para ser um grande executivo internacional até ser mordido pelo mosquito do empreendedorismo.

 

Neste sentido, começo com uma história vivida num momento em que eu estava no processo de decisão de deixar de ser um jovem executivo em ascensão em uma consultoria internacional para me dedicar a vida empreendedora. Faço uma ressalva que até chegar neste momento, eu havia virado sócio de minha esposa num grande empreendimento de móveis que tinha 2 funcionários mais minha esposa e cujo lucro – quando dava – não chegava nem perto do meu salário e servia muito mais como um emprego para ela.

 

Nesta mesma consultoria, um colega gerente de projetos também tinha a mesma intenção de deixar a empresa para montar o seu GRANDE PROJETO EMPREENDEDOR. Afinal, éramos excelentes consultores trabalhando para empresários que nos pagavam e que achávamos que não tinham metade de nossa capacidade em gestão de negócios. Como éramos ingênuos!

 

Durante alguns anos, cada um do seu jeito, fizemos pesquisas, fomos a feiras buscando oportunidades, trocamos muitas idéias, fizemos inclusive planos de negócios – coisa que consultores fazem muito bem – e até apresentei para a empresa em que trabalhávamos na esperança deles investirem nele. Exatamente… Esperando que outros investissem no meu projeto.

 

Mas parecia que ninguém estava muito interessado em investir no meu projeto e aquela vontade de fazer algo próprio conflitava com o medo dos compromissos familiares, com a possibilidade de perder renda, de não dar certo o que estava querendo montar, de ser um fiasco, era tanto medo que não combinava com aquela segurança que eu demonstrava ter quando montava meus relatórios de consultoria. Tudo parecia muito arriscado e quanto mais eu buscava mais informação, mais eu descobria coisas que pareciam que iriam comprometer aquelas suadas economias que iriam ser investidas.

 

Tomei a decisão e confesso que não foi como acredito que deveria ser, pois conflitei com um executivo superior e em meio à turbulência emocional, tomei a decisão e pedi as contas. Fiquei várias noites sem dormir, pensando que agora não teria mais volta, que era para valer e, apesar de todos darem força, reafirmando minhas capacidades, só eu sei o MEDO que eu estava sentindo.

 

Passados cinco anos deste momento, com mais de 80 funcionários e muitas aprendizagens que irei compartilhar com vocês, acredito que teria sido mais fácil se uma questão simples fosse refletida antes de todas as minhas pesquisas e medos. O que é ser um empreendedor?

 

Descobri que ser um EMPREENDEDOR é simplesmente uma PROFISSÃO que, como todas as outras, tem riscos de dar certo ou não. Logo, é possível que eu tenha empreendimentos que irão ser um sucesso ou não, é como um médico que faz um exame errado, um engenheiro que monta um projeto deficiente, ou um advogado que perde uma causa. Tenho certeza que eles não gostam, mas continuam na sua PROFISSÃO.

 

Se um negócio não der o resultado que se espera ou mesmo quebrar, você não será um fracasso por isso. Simplesmente, você terá que se preparar melhor da próxima vez, afinal, para um empreendedor por opção, não se cogita voltar a trabalhar para os outros, nem estudar para concurso, esta ponte deve ser desativada. Ah, e antes de terminar, aquele meu amigo continua sonhando e pesquisando.

 

E você, vai continuar sonhando ou está preparado para fazer sua opção para esta nova profissão?

 

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