As startups são um assunto em voga no mercado empreendedor. Nessa entrevista Gustavo Caetano, da Associação Brasileira de Startups, ele fala do papel da Associação, do cenário atual das startups no Brasil, as barreiras e as oportunidades para empreendedores que querer ter uma startup de sucesso. Confira!

 

 

Como é o trabalho da Associação Brasileira de Startups?

 

A Associação reúne hoje 2500 startups do Brasil inteiro, e temos 13 representantes regionais. No Nordeste, por exemplo, a gente tem vários representantes que escutam a comunidade, participam de eventos, trazem eventos para cá e levam a voz do que está sendo dito aqui nesses eventos para a Associação, que representa todas essas startups junto ao Governo Federal, junto a investidores e as empresas de invest capital, APPEC e outros órgãos.

 

Como é que você enxerga a cena de startups hoje aqui no Brasil?

 

Tem crescido muito. O empreendedorismo virou uma opção mesmo. As pessoas antes tinham o empreendedorismo assim: “nada deu certo, eu vou ser empreendedor”. Agora não. Agora eles tem capacidades. As pessoas saem da universidade já querendo empreender e a startup virou um jeito de montar uma empresa que é dinâmica e cresce acima da média de mercado – e muitas vezes são empresas super inovadoras.

 

Muita gente fala que as startups brasileiras ainda são muito insipientes. Como você vê esse ponto?

 

É o começo ainda. O Governo Federal começou a fazer alguma coisa, mas ainda falta um ambiente que melhore a vida do empreendedor. Para ele começar a montar um negócio ainda é muito complicado: burocracia, os impostos e coisas assim… mas o empreendedor brasileiro é muito criativo. Então a gente tem visto cada vez mais startups com fundadores que possuem conhecimento sólido. Não é aquele aventureiro, é o cara que tem conhecimento  e que estudou em uma boa universidade, que tem um time bem montado, tem muito mais maturidade para montar uma empresa com capacidade de virar uma empresa global. Você tem visto vários casos recentes de empresas que começaram pequenas e viraram empresas de grande porte.

 

Além dessa questão do ambiente em si e do governo, que outros pontos atrapalham o sucesso das startups brasileiras?

 

Ainda falta a gente criar um ecossistema mais bem montado com investidores. Tem surgido alguns investidores anjo, mas existem escalas de investimento. E essa escala acompanha o crescimento de uma startup. É muito difícil falar de inovações, ainda mais de inovação de ruptura – inovação que muda alguma indústria – sem pensar em dinheiro. Sem pensar que esse cara precisa realmente de dinheiro para começar a crescer e para crescer mais rápido. Então se você pegar todas as empresas dos Estados Unidos, startups conhecidas como o Google e o Facebook, que foram startups um dia e que hoje são empresas grandes, todas levantaram muito capital. O investimento é muito importante para que se consiga criar empresas de sucesso.

 

De um lado, nós vemos toda comunidade de startups reclamando de falta de investimentos e por outro lado, vários investidores reclamando que não tem startups de qualidade para investir. Onde está o problema? Será que o investidor brasileiro ainda tem medo de tomar um risco maior?

 

Ainda tem isso. O investidor brasileiro, por ter pouca opção de dinheiro, por não ter tanto capital, ele tenta reduzir ao máximo o risco de investimento.  Não é tão aberto a correr um risco grande, mas também faltam projetos de qualidade maior. As vezes o empreendedor acha que só ter uma boa ideia vai resolver, ele vai conseguir dinheiro. E não é isso. Os investidores hoje estão buscando pessoas  que conseguem realizar. Então esse é o grande ponto que precisa melhorar para o empreendedor. Ele tem que está  mais preparado para executar os projetos e não só sonhar. Porque a parte de sonhar e pensar em um projeto legal é algo mais fácil. O difícil é colocar isso em prática.

 

Quais dicas você daria para alguém que está na faculdade ou está terminando o curso, que passos esse cara deveria seguir para um dia ter uma startups de sucesso?

 

Eu acho que os mais importante é o que eu fiz na minha vida como empreendedor é começar a executar. É tentar ter pequenas ideias. Você está dentro da faculdade, tem uma ideia, hoje é barato colocar essa ideia em prática. É barato fazer uma página, é barato contratar um freelancer para fazer um design para você. É claro que tem que ter um esforço de investimento inicial, às vezes pequeno, mas tem que mostrar uma coisa que você é capaz. E tentar buscar alguns clientes, buscar amigos que tenham interesse de participar do projeto. É assim que empresas nasceram lá fora, é assim que várias empresas tem nascido aqui no Brasil. É pegar o Buscapé, sucesso no Brasil, uma empresa que nasceu dentro da universidade.

 

Outra dica super importante é foco. Focar em um nicho de mercado, tentar pegar alguma coisa que as vezes é muito pequena para um cara grandão, mas para você é algo que faz todo sentido. Ter algum propósito: porque que eu estou fazendo isso? Eu resolvo qual problema? Muita gente pensa primeiro na solução antes de pensar no problema. Eu acho que o empreendedor ele precisa repensar primeiro qual problema que eu estou resolvendo? É um problema real? As pessoas pagariam para resolver esse problema? Muitas startups criam produtos que inventam um problema para tentar resolver. E aí não tem mercado para isso. Agora quando você acha um problema, que ele é real e traz uma solução, a chance das pessoas comprarem aquilo é muito grande.