O Gmail está fazendo aniversário: são 10 anos. Tudo começou em 2004, com a primeira versão do webmail gratuito da Google lançada no dia primeiro de abril.

A Google divulgou na época do lançamento o que provocou o início deste projeto: uma mensagem recebida de uma usuária que reclamava da péssima qualidade dos webmails da época e as restrições na quantidade armazenada nos provedores de domínio. Perdia-se muito tempo apagando mensagens para diminuir o espaço utilizado ou buscando alguma informação. Unindo ao fato dos próprios engenheiros da Google terem problemas gerenciando suas mensagens, ele decidiu que era hora de desenvolver a sua própria ferramenta. Assim, usando os famosos 20% de tempo para dedicação a projetos pessoais que a empresa sempre estimulou, o engenheiro Paul Buchheit começou o desenvolvimento.

 

Buchheit já tinha estudado o assunto anos antes de entrar na Google, quando começou a desenvolver sua própria ferramenta – que ficou inacabada. Depois de algum tempo sozinho, outros engenheiros foram se juntando ao time, que recebeu grande suporte dos fundadores da empresa, Page and Brin. Foram 3 anos para finalizar o projeto.

 

A interface inovadora

 

Somente em 2003, após 2 anos de trabalho, entrou na equipe um designer de interfaces, Kevin Fox, que começou a trabalhar para melhorar a interface, até então bastante rudimentar.

 

O desafio era fazer algo com a cara da Google, mas na verdade só haviam 2 produtos até aquele momento: o buscador e o Google News, ambos websites. Fox fez muitos desenhos e redesenhos até chegar a forma final que foi apresentada ao público:

 

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O Gmail foi o primeiro produto diferenciado lançado pela Google, que até então era focado no buscador, líder no segmento. E chegou desbancando o Yahoo e Hotmail.

Com um espaço de armazenamento de até 1 Gigabite (500 vezes mais do que o Hotmail oferecia na época!), uma facilidade de uso muito além das demais ferramentas existentes, tratamento cuidadoso dos spams – excluía automaticamente para uma pasta tudo que era lixo, o Gmail logo alcançou sucesso.

A velocidade muito maior que a concorrência, a ideia de aninhar mensagens trocadas entre as mesmas pessoas e a vantagem de poder guardar suas mensagens para sempre foram imbatíveis. Outro fato relevante era a possibilidade de enviar anexos com até 25Mb. E tudo isso gratuito!

Encarar a ferramenta como um aplicativo e não como um site abriu a possibilidade de decisões diferenciadas na programação que trouxeram mais velocidade: não era necessário recarregar a tela toda a cada item modificado, como uma nova página web, mas apenas o item, como um software. Também possibilitou o aninhamento das mensagens entre os mesmos usuários como uma sequência de conversas. Isso era um grande diferencial, pensado em tornar fácil e intuitivo seu uso.

O modelo de negócio desde o início foi ser gratuito, financiado por anúncios. Seguindo a estratégia da Google, ficou definido que somente anúncios em texto apareceriam e de forma limitada. A seleção dos anúncios seria feita a partir de palavras usadas nas mensagens, procurando dar relevância. Neste aspecto, era uma inovação, mas poderia trazer problemas sérios com usuários reclamando de invasão de privacidade nas suas mensagens. Resolveram arriscar.

Deu certo. Hoje são mais de 500 milhões de usuários e o Gmail se tornou a porta de entrada para os demais produtos da Google, como Analytics, Drive, Docs, Google+, etc.

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Acima, a interface do Yahoo Mail na época do lançamento do Gmail. Repare que ele oferecia 100Mb de espaço. 

 

 

 E você é usuário do Gmail? Na sua opinião, qual será o futuro dessa ferramenta? Comente conosco!