Gamificação: entre nesse jogo

Você já participou de algum quiz na escola ou já recebeu estrelas douradas por finalizar uma tarefa designada pela professora? As crianças se empenham bastante para conquistar essas estrelinhas, mesmo que essas recompensas não tenham nenhum valor concreto. No mundo corporativo atual, muito tem se falado e aplicado um modelo de técnicas de criação, raciocínio e mecânicas de jogos em um contexto não necessariamente de entretenimento, com o objetivo de alcançar metas específicas.

 

gamificacao_entre_nesse_jogo

 

 

Em 2012, a NET decidiu ajudar sua equipe inteira a entender como funciona cada processo de suas operações de um jeito inusitado. Através de um game, cada funcionário foi convidado a se tornar o gerente de várias áreas da empresa, como vendas, atendimento, instalação e comercial. Basicamente, quem topava entrar na brincadeira, recebia um desafio real de determinado setor e precisava solucioná-lo para passar para a fase seguinte. Para cada problema proposto, havia uma série de respostas, e o jogador precisava escolher a que melhor se encaixava. As questões eram lançadas semanalmente e o tempo de resposta variava de um a três dias.

 

A estratégia usada pela NET faz parte de um fenômeno chamado gamificação, (do original em inglês gamification) e corresponde ao uso de mecanismos de jogos orientados ao objetivo de resolver problemas práticos ou de despertar engajamento entre um público específico. Nos últimos anos principalmente, game designers de diversas partes do mundo têm se dedicado a aplicar princípios de jogos em campos variados, tais como saúde, educação, políticas públicas, esportes ou aumento de produtividade. Essa técnica pode se aplicar a qualquer ambiente corporativo, por exemplo, no qual se almeje afetar um comportamento específico ou uma mudança estruturada, seja interna ou externamente à sua empresa.

 

Mas essas empresas não jogam por diversão.

 

Gamificação é coisa séria

 

As companhias aproveitam a essência do que torna os jogos tão atraentes (uma combinação de objetivo, desafio e recompensa) e decodificam a mecânica que os fazem funcionar (personalização, classificações e placares). Por fim, aplicam esses mecanismos numa infinidade de iniciativas criativas para ajudar a aumentar a fidelidade dos clientes, motivar os consumidores a comprar e criar mecanismos mais atraentes para reter e incentivar talentos. A aplicação de uma bem-sucedida estratégia de gamificação está diretamente associada ao entendimento do contexto em que se insere o usuário, e quais são seus anseios e limitações extrínsecos (incitados pelo meio externo) e intrínsecos (automotivados).

 

Antes mesmo de considerar a gamificação como uma possível abordagem para solucionar um problema, é preciso fazer-se três perguntas fundamentais que, se adesquadamente respondidas, geralmente aumentam consideravelmente as chances de sucesso do projeto. São elas:

 

1. Por que um jogo irá beneficiar os usuários do serviço?

 

2. Quais são os objetivos de negócio por trás desse jogo?

 

3. Como os mecanismos dos jogos vão fazer com que os usuários atinjam os objetivos do negócio?

 

Lembre-se que essas perguntas devem nortear todo o processo de gamificação quando aplicado no contexto corporativo.  Em suma, o objetivo da aplicação de jogos numa empresa deve ser o de obter alto nível de comprometimento dos funcionários, facilitar a introdução de mudanças na organização e estimular a inovação para criação e solução de problemas.

 

Os resultados comerciais da gamificação podem ser bem recompensadores. Um exemplo é o aplicativo Nike+ para celulares e Facebook, que permite aos usuários definir metas pessoais para corridas e recompensas por alcançar seus objetivos com mensagens de congratulações de atletas famosos. O número de usuários registrados no Nike+ teve um aumento de 40%em 2011 e ajudou a aumentar em 30% as receitas na categoria de Corrida da empresa.

 

Um outro exemplo, esse no setor bancário, a instituição financeira holandesa Rabobank passou a adotar a gamificação como ferramenta para impulsionar negócios e reduzir custos. Ao disponibilizar o processo de solicitação de hipotecas para o ambiente online, os clientes passaram a encará-lo como uma espécie de competição onde as quantias de dinheiro liberadas passaram a ser definidas de maneira mais precisa e liberadas mais rapidamente, contanto que o cliente fornecesse um feedback a cada upload de documento requerido para a liberação do dinheiro em cada etapa do processo. Com isso, do total de solicitantes de hipoteca,  80% o fazem através da “gincana” de solicitação online.

 

Você acha que a gamificação se encaixa na sua empresa? Se não, por quê? Se sim, como? Conta aqui pra gente!

 

imagem: http://www.fitnesswave.com

Posts Relacionados

  • #QuemUsaOTwitter e o que você precisa saber

    Você trabalha com mídia digital e quer usar o Twitter para divulgar sua empresa? Antes de definir se sua empresa vai se dar bem nesta rede, é legal conhecer um pouco mais sobre as pessoas que estão por lá. Por isso, é uma boa ideia você conferir o infográfico liberado pelo Twitter sobre o perfil…

  • Como profissionais de estética e comunicação podem trabalhar juntos?

    Bastaram cinco minutos de pesquisa para confirmar a minha opinião:   Correio 24h – Aqui   Diário de Pernambuco: aqui Hoje Centro Sul aqui : Satisfação e observação A importância da estética na vida dos brasileiros não está mais ligado a questões de vaidade. Vai além de estar bem diante do espelho, e sim com…

  • Qual a diferença entre Mídia Social e Rede Social?

    Parece que todo dia nasce uma nova palavra relacionada à internet. Fica quase impossível acompanhar todas e saber o significado de cada uma delas, mas algo que está presente em nosso cotidiano são os termos mídias sociais e redes sociais. Será que existe diferença? O Facebook, o Twitter, o Youtube são mídias ou redes sociais?…

  • Criação de Riqueza: Equilíbrio entre vida financeira e emocional

    Não é novidade para ninguém que a situação econômica do Brasil não está vivendo a sua melhor fase. Para falar a verdade, há muito tempo não se via números tão alarmantes sobre questões financeiras, como desemprego e inflação, e como elas perturbam a mente das pessoas. Outro fato que preocupa é que os salários não…

  • #STARTUPI GUARANI: DNA da Startup do Brasil

      No mês passado, no post “G3R4Ç4O BR4S1L: Startup na boca do povo”, após me defrontar com o constante desconhecimento de amigos e familiares sobre o ambiente de startups, levantei a possibilidade de popularização deste ambiente. Para testar essa possibilidade, fiz duas enquetes: uma para um grupo de desenvolvedores de games e outra com amigos que estão…

  • O Copy Criativo, de Menna Barreto

    “O Copy.   Como defini-lo?   Implica, na sua construção formal básica (sempre em torno de um lance de imaginação), em ritmo impecável, muitos parágrafos, parágrafos arejados, figuras de retórica, humor quando convém, brilho intelectual marcante mas cordial (sem exibicionismo!), encadeamento irresistível de argumentos e sugestões – tudo se afunilando em direção a uma tese…