Entrevista: Analistas de Mídias Sociais da Depressão

Você pode achar que não conhece a jornalista carioca Lívia Lamblet, mas já deu risada lendo os posts dela no Facebook. Lívia é a criadora e administradora da página Analistas de Mídias Sociais da Depressão. Com quase 34 mil fãs e alcance semanal de mais de 100 mil, a fan page mostra os deslizes dessa turma que acha que está fazendo comunicação nas redes sociais mas, digamos assim, erra na mão.  Eu conversei com ela sobre o “Analistas” e sobre o que rende resultados e o que rende piada nas páginas de Facebook da vida.

 

Digaí: Você mantém a página sozinha ou conta com parceiros?

R.: Basicamente, somos eu e Luiz Felipe Guimarães que mantemos a página. Vinícius Pinto está conosco, ajudando nas artes e em algumas postagens.

 

Lívia Lamblet e Luiz Felipe Guimarães mantêm a página.
Lívia Lamblet e Luiz Felipe Guimarães mantêm a página. (acervo de Lívia Lamblet)

 

Digaí: Fale de sua formação. Onde você se formou e há quanto tempo trabalha como analista de mídias sociais?

R.: Sou formada em Comunicação Social, com habilidade em Jornalismo, desde 2010. No ano em que me formei, eu ainda estagiava no Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região (Sinpro-Rio) e atualizava as redes sociais do sindicato. Depois, no mesmo ano, consegui um freela na agência Binder, e comecei a trabalhar na área.

 

 

Digaí: O “Analista” completou um ano. Você pode nos dar a dimensão da página em termo de acessos e interações?

R.: Atualmente, temos um alcance total semanal de 119.327 usuários. Algumas de nossas postagens chegam a mais de 4 mil compartilhamentos. Nunca fizemos posts patrocinados, muito menos fizemos Facebook Ads. A página é completamente orgânica.

 

 

Digaí: Qual foi o caso mais de erro grave que você já postou no “Analistas”? Por quê?

R.: Não sei dizer qual foi o caso mais grave, mas alguns realmente deveriam ter sido evitados com um pouquinho mais de atenção. Todo erro é grave, pois o cliente pode ver e a agência pode  até perder a conta.

 

 

Analista de Mídias Sociais da Depressão brincam com Agora um Poema (Fonte: Analista de Mídias Sociais da Depressão)
Analista de Mídias Sociais da Depressão brincam com Agora um Poema (Fonte: Analista de Mídias Sociais da Depressão)

 

Digaí: E o mais engraçado?

R.: Os posts da Visou são sempre hilários. Criamos até a seção “Escola Visou de Social Media”. [As respostas da página às críticas costumam ser agressivas, como neste exemplo]

 

 

Digaí: Qual o erro mais comum nas empresas que vão parar em seus posts?

R.: Erros graves de português e analistas que não sabem lidar com o público, sendo agressivos em suas respostas.

 

 

Digaí: Qual é o erro mais complicado de resolver?

R.: Quando você sabe que o usuário está certo e precisa gerir a crise. Existem pessoas que comentam inúmeras vezes na página, fazem prints, e você precisa saber lidar com esse tipo de gente da maneira mais tranquila possível. Não é fácil lidar com o público.

 

 

Digaí: Que empresa você destacaria como exemplo de boas realizações nas mídias sociais? E qual é o exemplo do que não deveria estar sendo feito?

R.: O Ponto Frio, no Twitter, é uma página que eu sempre indico como uma das melhores. A equipe deles é muito boa. O que não deve ser feito é agir como a Visou.

 

 

Digaí: Recentemente, vi que o “Analista” postou uma resposta interessante que a GVT deu para um consumidor insatisfeito (que também tinha enviado uma reclamação interessante). Dos exemplos de postagens positivas já mostradas na página, qual você destacaria?

R.: Sempre as postagens do Ponto Frio no Twitter (muito amor pelo Pinguim).

 

 

Digaí: Você recebe muitas sugestões de postagens? Quantas por dia?

R.: Nós recebemos muitas sugestões de postagens. Não sei exatamente quantas por dia, nunca parei pra contar. É complicado conseguir ler todas as sugestões, porque geralmente estamos no trabalho.

 

 

Digaí: Como você identifica se o que você recebe é fake ou não?

R.: Como bons jornalistas que somos, apuramos nas páginas. Se as fontes forem seguras, nós publicamos. Mas já aconteceu de publicarmos fakes. Erros acontecem com todo mundo.

 

 

Digaí: De tempos em tempos, vejo posts na página explicando que o “Analista” é uma página independente, que não tem nada contra ninguém e que tem como objetivo o humor. Por que isso acontece? Você costuma receber muitas reclamações?

R.: Como toda página de sucesso na internet, nós temos inúmeros haters (pessoas que reclamam e detonam a página). Algumas pessoas dizem que isso não é humor, que estamos atrapalhando o trabalho dos outros. Entretanto, existem inúmeras páginas que utilizam a mesma linha editorial, e é uma brincadeira. Se não rirmos de nós mesmos, o trabalho vai ser muito mais estressante.

 

 

Digaí: Como você lida com as reclamações que a página recebe?

R.: Às vezes dá vontade de dar uma de analista da Visou, mas a gente respira fundo e responde o melhor que puder ou então deixa quieto. Não dá pra ficar discutindo.

 

 

Digaí: Você já teve problema de outra página ou site copiar material de vocês? Como lidou com esta situação?

R.: Já, mas resolvemos da melhor maneira possível. Kibe na internet é inevitável, mas procuramos conversar sempre com os donos das outras páginas. Geralmente, eu entro em contato com os donos de páginas famosas no Facebook ou Twitter.

 

 

Digaí: Se você estivesse do outro lado, se um cliente seu fosse parar em uma página como a sua, como resolveria a crise de imagem?

R.: Mandaria uma mensagem educada por inbox e solicitaria a retirada da postagem. Toda vez que nos pedem com educação, nós retiramos numa boa. Nossa intenção nunca foi prejudicar ninguém.

 

 

Digaí: Fora a atualização da página, você tem outros projetos profissionais e lançou um livro no ano passado: A influência das novas tecnologias na comunicação humana. Conte-nos mais sobre isso e sobre seus planos para o futuro profissional.

R.: Meu livro foi a minha monografia da faculdade. Quem quiser comprar, pode encontrar no site da editora. Nele, falo sobre a história da comunicação e traço um paralelo de como o homem, ao criar as tecnologias para se comunicar, desde as pinturas rupestres até os dias de hoje, foi capaz de criar a civilização como ela é atualmente. Sobre meus planos para o futuro: eu quero crescer na área e, quem sabe um dia, ter meu próprio negócio. São coisas que ainda estou vendo. Eu sou apaixonada por comunicação e tecnologia, mas também tenho meu lado empreendedor. O futuro a Deus pertence.

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