O Digaí conversou com Martha Gabriel, uma das maiores referências nacionais em marketing digital e redes sociais. Começamos o bate papo falando sobre o contexto das redes sociais no Brasil, tendências para 2014 e sobre o mercado das redes sociais.

 

 

Martha afirma: a primeira tendência das redes sociais é a fragmentação. Então, quando vemos essas discussões que as pessoas estão saindo do Facebook e indo para outras redes, na realidade, elas não estão saindo, estão lá também, mas também estão usando os Snapchat, usam o Twitter, usam o Pinterest, o Instagram e  etc. Essa fragmentação com a utilização de várias redes é um cenário mais complexo.

 

A segunda tendência é o mobile. Nós estamos cada vez mais no processo mobile. Além disso, algumas redes entram em processo de saturação. Então começamos a ter a mesma modificação que tivemos na televisão e toda mídia de massa. Quando ela atinge uma quantidade “x” de público, ela passa a se verticalizar – e isso já está acontecendo. Então no começo você tinha Orkut, Facebook, MySpace. Depois de certo tempo é tanta gente que está lá…que você começa a querer redes mais específicas. Ai vem Foursquare, Twitter, que é uma rede específica de localização, mas depois passa a ser mais geral também. Então a gente tinha as horizontais que passam a se verticalizar e aí começa, no cenário fragmentado, a ter muita rede específica.

 

Nós temos o TvTag (que é o antigo Getglue) que é para você avaliar programas de televisão, temos o Foursquare, o próprio Snapchat que tem características específicas de tempo que você manda mensagem. O Tinder, que é uma rede para você avaliar pares, etc. Eu acho que cada vez mais vamos ter isso.

 

Outra tendência que eu acho são as redes corporativas. Então até agora a gente está aprendendo, ou aprendeu, está amadurecendo como utilizar as redes sociais na vida como um todo. Agora as corporações vão começar a implementar cada vez mais com esse aprendizado.

 

 

Redes próprias mesmo?

 

Quando eu digo redes próprias é interna da corporação, mas com soluções prontas. Hoje a gente tem soluções mais populares, como o Ning, que atende a todo mundo. Até soluções super desenhadas para as grandes  plataformas de software. E nesse cenário, o que é importante? Porque a tecnologia já está disponível faz muitos anos, mas usar a rede corporativa significa que a gente aprendeu, no mercado, a saber ouvir. As pessoas reclamam… Como você lida com quem reclama? Então não adianta eu montar uma rede corporativa e quando um colaborador falar que ele está irritado porque tem que bater ponto ou porque a comida no refeitório não tá legal, eu não demitir o cara ou fechar a rede, você vai ter que tratar isso . Você vai ouvir coisas que não quer também, então precisa dessa maturidade e aprendizado que a gente já teve nas outras redes.

 

 

Porque essa tecnologia está disponível há tanto tempo e só agora ela tem sido implementada nas empresas?

 

Cultura. Para as empresas se tornarem 2.0, as pessoas tem que se capacitarem 2.0. Então, as pessoas estão agora em um cenário um pouquinho mais amadurecido e elas estão aprendendo a lidar com o corporativo. Porque você usar o Facebook na sua casa é diferente de você usar o Facebook numa empresa, certo? Existem outras limitações e outras potencialidades. Então primeiro você tem que aprender o “b a bá”, que é utilizar em casa e as pessoas se tornarem 2.0. E agora isso veio com uma maturidade maior para que você possa ter as empresas 2.0 para funcionar.

 

 

Como você vê isso coexistindo com várias empresas tradicionais que ainda não tem uma presença forte no digital?

 

O primeiro problema que acontece com essas empresas é um problema de imagem. Tem pesquisas que mostram que mais de 50% das pessoas acham que se elas buscarem uma marca nas mídias sociais e essa marca não tiver lá, tem uma imagem negativa. Faz sentido, né? Hoje, a gente espera que todo mundo esteja em todas as plataformas, aí você pega uma marca que não tá, você já acha “Ih os caras são atrasados” ou “os caras não são inovadores”. Então o primeiro impacto é na imagem.

 

O segundo impacto é: cada vez mais, quem souber lidar com as mídias sociais e extrair dados inteligentes delas, como big data e processos, vai ter mais inteligência de mercado. Então, quem não faz isso, não consegue competir. Você deve ter assistido o filme de baseball, Money Ball, que o técnico começa a usar as técnicas de big data e ele é inovador. Ele pega um estudante que acredita em análise de estatística e implementou isso no baseball nos Estados Unidos e com jogadores medianos, ele ganhou o campeonato.

 

A partir de lá, todos os times grandes começaram a usar análise de dados em baseball. Hoje, um time que não usa, não consegue mais competir, está totalmente fora. Então, o que eu falo é:  se estamos nesse cenário, que alguns descobriram que é bacana utilizar, estão conseguindo vantagem. Na hora que os outros começarem a usar, deixa de ser vantagem e passa a ser ameaça, você não consegue mais competir.

 

 

O que você indicaria, no ponto de vista prático, para alguém que tem uma empresa pequena ou média, qual o passo a passo que ele deveria seguir?

 

Por mais que você seja pequeno, quando falamos em mídias sociais, falamos de estratégia de comunicação, estratégia de relacionamento. Então, a primeira coisa é se capacitar. Nem que seja você, porque quem é menor tem que fazer mais coisas. É assim que funciona uma empresa pequena, o cara que é o dono ele faz 5 coisas que numa empresa grande tem 5 pessoas para fazer.

 

Essa é mais uma capacidade que você tem que adquirir. Eu sempre falo nas palestras que quanto mais complexo o ambiente, mais sofisticado tem que ser seus agentes para sobreviver. Mesmo que você seja pequeno, vai ter que se capacitar para traçar um planejamento, fazer uma estratégia de conteúdo, saber onde seu público está. Tudo isso dá para fazer sim de uma maneira um pouquinho mais simples, mas se você souber fazer. A educação é o primeiro passo para qualquer área que você precise atuar e até quanto mais educado você for, mais você consegue analisar e fazer coisas banacas com pouco recurso. Então, eu acho que é o caminho para os pequenos.

 

 

E no ponto de vista do estudante, do profissional que tá começando agora no mercado. Que áreas você acha que são mais interessantes? Que áreas são mais quentes para se investir?

 

Eu acho isso complicado de responder porque no digital tem tudo, então qualquer coisa que as pessoas escolherem no digital tem sucesso. Mas a área que você vai escolher depende muito daquilo que faz seu coração bater forte. Às vezes, o que eu faço hoje pode ser muito bacana, mas para você seria uma morte ter que fazer o que eu faço. Então é a mesma coisa que a gente escuta falar “Medicina é uma área promissora”, mas se você não nasceu para medicina, você vai morrer fazendo aquilo.

 

O que eu acho é: nesse cenário digital todas as profissões passam pelo digital. Se capacite, entenda os que são as mídias sociais e aí, naquilo que seu coração bate forte, tente achar caminhos envolvendo as tecnologias novas que estão ai. Em todas as áreas tem e em algumas áreas inclusive que as tecnologias novas revolucionam. E se você parar e analisar, você vai achar caminhos bacanas. Isso é o que startups pequenininhas estão fazendo. Elas acham onde elas podem resolver um problema, usam muitas das vezes tecnologia para ser rápido e conseguem ganhar mercado em função dessa visão de enxergar o cenário como um todo.