Continuamos com a cobertura do South by SouthWest. As novidades são trazidas quentinhas de lá pelo nosso colunista convidado, Lucas Melo.

 

FUTURE OF MAKING

 

Em maiúsculas, porque eles merecem. Com as duas grandes marcas da inovação e criatividade juntas no mesmo palco, essa era uma das palestras que eu mais queria assistir aqui no South x Southwest. E me dei bem na aposta, Tim Brown (presidente do IDEO) e Joi Ito (diretor do MediaLab do MIT) mostraram como eles imaginam que tecnologia vai a ajudar a gente a criar.

 

Presidentes do MediaLab do MIT e do IDEO discutem o futuro das ferramentas tecnológicas em nossas vidas.

 

(Quem quiser entender um pouco mais sobre festival South by SouthWest antes de seguir em frente lendo, esse post explica direitinho.)

 

A conversa partiu de três pontos básicos:

– As ferramentas que vamos usar para desenvolver os trabalhos;

– Os sensores que vão nos fornecer informações;

– E os novos processos de fabricação.

 

Vamos a eles!

 

Ferramenta é ferramenta

 

Parece óbvio, mas é fácil cair na armadilha de enxergar esses novos produtos tecnológicos como um fim. Claro, em um primeiro momento ainda não conseguimos prever exatamente os efeitos daquilo que acabamos de conhecer e só através da experimentação é que vamos levantar as possibilidades. Para Joi Ito, as ferramentas precisam deixar de conversar com o nosso lado lógico, racional e da busca por respostas, para acessar diretamente a nossa parte criativa e artística.

 

Ele compara com um pincel, que não é o foco do artista enquanto pinta um quadro. Como o pincel, essas novas ferramentas devem ser invisíveis e ajudar a eliminar as barreiras que impedem as pessoas de explorarem o mundo ao seu redor, aumentando nosso potencial criativo.

 

OUTER SKILLS – Iteration table from IDEO | Boston on Vimeo.

 

Medindo a nossa vida

 

Vivemos uma enxurrada de novos tipos de sensores que transformam a vida real em uma tabela de números. Começa com as pulseiras que contam passos, calorias, quilômetros pedalados, mas é uma questão de tempo até termos catalogados nosso nível de estresse, de medo, de fome. Ou até a nossa memória ser literalmente fotográfica, com ajuda de uma câmera que registra tudo o que a gente faz. E, assim como no caso das ferramentas, de cara precisamos aprender o que fazer com essa informação toda.

 

Dois pontos me chamaram a atenção durante esse momento da palestra. O primeiro, é que os sensores vão nos ajudar a perceber coisas novas sobre nós mesmos, informações que muitas vezes não passam pelo nível de consciência. Muitas delas, inclusive, nosso cérebro aprende a ignorar por questões sociais e comportamentais, e os sensores vão ser capazes de fazer essa leitura. É como medir a intuição. O segundo ponto é que nem sempre esses dados precisam ser apresentados para nós, não nos interessam, o que devemos é pensar em como eles podem melhorar os produtos e serviços que atendem a gente.

 

MEANING ECONOMY – Empathic Thread from IDEO | Boston on Vimeo.

 

A fábrica lá de casa

 

Um dos esforços do MIT e do IDEO é estudar como vamos fazer os nossos produtos nos próximos anos. Hoje, vemos o conflito entre a abordagem da grande indústria, em série, com muito recurso financeiro e o movimento maker, mais artesanal, em que o consumidor tem propriedade da fabricação.

 

A direção proposta aqui nesse papo é unir o melhor dos dois mundo: o movimento maker não veio para substituir o esquema de produção industrial, mas sim para provocar a discussão e fazer o sistema evoluir. A ideia é conseguir ter a solidez e a precisão das grandes indústrias localmente, trazendo de volta para os produtos o artesanal e intuitivo, que tinham sido perdidos quando aumentamos a escala.

 

* Se a impressão 3D já abre um mundo de possibilidades, que tal pensar no 4D, incluindo a dimensão do tempo? Assim, um produto impresso pode ser programado para, ao entrar em contato com a água, por exemplo, ganhar uma nova forma. Pensa num móvel que se monta sozinho.

 

Uau! Objetos 4D podem estar no futuro próximo.

 

* A bioengenharia ganhou destaque. A aposta é que usaremos fungos e bactérias, por exemplo, como uma etapa de fabricação de um objeto.

 

E temos que repensar a maneira pela qual fazemos as coisas. É a prática que vai nos levar pra frente, o aprender fazendo. A intenção não é chegar à resposta certa, no plano infalível, mas em um sistema que consegue se adaptar às mudanças e seguir em frente, aumentando a nosso potencial criativo.

 

Quem quiser continuar no assunto, tá tudo aqui.

 

E eu sigo com a minha contagem de Google Glasses vistos nas ruas de Austin. Até agora, 11.

 

Lucas Melo

É astronauta amador. Ele alimenta a vontade de explorar e descobrir algo novo desde os tempos do Mundo de Beakman. É criador de vídeos e atualmente descarrega essa curiosidade no canal Ideias Épicas.

 

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