No segundo artigo da série Tive uma grande ideia, e agora? vamos direcionar os holofotes para aquela peça fundamental que poderá tirar a ideia do campo imaginário e torná-la um negócio ou projeto de sucesso: você!

Relembro aqui a primeira chave entregue a você no primeiro artigo da série:

portas a abrir

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Chave #1: por que empreender

Vamos iniciar essa jornada lembrando que há mais de 2000 anos um filósofo elaborou: “Conhece-te a ti mesmo”. Mencionamos no primeiro artigo que é assim que muitas pós-graduações renomadas iniciam seus cursos: com coaching.

Você já deve ter escutado essa palavra e ela nada mais é que uma nova roupagem para as palavras de Sócrates. Quem se conhece mais profundamente consegue dimensionar mais facilmente quais missões assumir. Em um novo negócio, isso é simplesmente essencial para você não perder tempo.

Esteja preparado, pois você estará nadando contra a corrente. “Receitas” para empreender, negócios que “não podem dar errado” abundam em marketing de rede, franquias e seja qual for a nova moda de dinheiro certo. Pesquise sobre alguns desses exemplos: avestruz nos anos 90; marketing de rede como a Amway; construção civil: o mito da facilidade em contruir prédios; o sucesso dos foodtrucks e outros.

Não há nada de errado com esses empreendimentos. A Amway, por exemplo, após 56 anos de existência ainda é a primeira empresa de MKT de rede do mundo, faturando mais de 10 bilhões em 2012. Porém a pergunta central: você quer ter uma renda ou quer apostar na sua grande ideia? Qual é o seu perfil? Qual atividade lhe realizará a longo prazo?

Desconstruindo você

Nós temos um excelente artigo no Digaí sobre Características de um Empreendedor de Sucesso.  Se você pesquisar a web, verá que há um consenso em sempre descrever um empreendedor vencedor para influenciar os empreendedores em potencial.

O enfoque deste artigo, porém, ainda não é esse. Ler sobre aqueles que já venceram pode gerar um certo distanciamento entre a realidade nua e crua do dia-a-dia de tarefas que temos que cumprir para garantir nossa renda e um sonho que está distante.

O foco, meu caro futuro empreendedor, é ajudá-lo a dar os primeiros passos, tirá-lo da zona de conforto, da constância de obstáculos, responsabilidades que fazem com que sua grande ideia continue sendo apenas isso: uma ideia.

O próprio autor passou por essa etapa e hoje, olhando para trás, percebe quanto há de  romantismo na nossa sociedade. Todos falam pra sermos empreendedores, dinâmicos, pró-ativos, mas o status quo aponta apenas dois caminhos:

  • quem pode é compelido (muitas vezes por pais amorosos que entregam o melhor, a seu ver) para estudar, ganhar diferenciais competitivos que culminam em emprego e futura segurança.
  • quem vem de origem mais humilde deverá vencer todas as dificuldades, fazer as escolhas certas e ultrapassar etapa por etapa até galgar um patamar decente.

Afinal, você teve uma boa ideia ou não?

Se você confia na sua boa ideia, se você apostaria nessa boa ideia com tudo que tivesse, por que atrapalhar o processo de concretização dela? Pois é isso que vai acontecer se você tentar atuar em esferas da Gestão que serão necessárias e você não domina.

Há duas formas de você se conhecer profissionalmente (lembrando que se conhecer pessoalmente fica pra você e seu psicólogo!): de forma autodidata ou através de um processo de coaching.

Há uma infinidade de material na internet para que você passe sozinho por esse processo. Porém, demandará tempo, muita disciplina e outro fator que temos grande dificuldade nessa pós-modernidade: humildade para admitir fraquezas que devemos mudar.

Se você é alguém não ensinável (sempre sabe uma solução “melhor”, sempre suspeita do que dizem pra você, detesta fazer o que os outros dizem, sempre pensa que aqueles que lhe falam sabem menos que você), prepare-se para passar muita raiva.

Você sem a CLT

Por mais que o assunto esteja em voga e se esteja discutindo quão reais são as proteções e benefícios aos trabalhadores no Brasil, é certo que muitos não empreendem por receio em abandonar a estabilidade, uma renda fixa garantida. Ou veem o empreendimento como a única saída após uma demissão e planos indo por água abaixo.

Acredite, todos os dias no planeta há pessoas deixando ótimos cargos e salários – e além, desligando-se de cargos concursados com privilégios únicos – para empreender. O próprio autor pode dar o exemplo: um cargo de coordenação por uma ideia tirada do papel. Para trabalhar sob o regime de suas próprias ideias.

O coaching também pode ajudar neste ponto, pois necessariamente você terá que traçar metas de curto, médio e longo prazo. E todo coach que se preze cobrará de você as ações iniciais definidas, semanalmente. Estará em cronograma: agora você está empregado, em X meses, você estará empreendendo.

Vantagens da CLT

Confira algumas vantagens do regime em CLT e avalie se são fundamentais para você:

  • poupança forçada para 13° salário
  • indenização em caso de demissão
  • aumentos de acordo com o sindicato
  • benefícios
  • receita uniforme
  • responsabilidades bem delineadas
  • licenças estabelecidas por lei

Há um ponto crucial a se pensar. Temos empresas hoje em dia que são geridas de forma fluida, rápida e que permitem flexibilidade aos colaboradores. Avalie se não é o caso de você encontrar uma empresa que possa proporcionar que o seu projeto saia do papel. Ele ainda será a sua ideia realizada!

Peter Drucker defende um comportamento empreendedor como um entendimento mais correto de empreendedorismo. Se confunde empreender com fundar empreendimentos. Muitas vezes de um projeto surge todo um departamento que se mostrará lucrativo.

Desvantagens da CLT

Uma compilação de obrigações e status quo que você deve seguir, ainda que hoje em dia as empresas mais maduras já estejam flexibilizando:

  • regime rígido de horário fixo
  • negociação salarial influenciada por pesada carga de imposto
  • dificuldade para negociação salarial
  • trabalho nos moldes de um sistema já existente muitas vezes engessado
  • convivência com colegas que não depende de suas escolhas, mas de alguém que avalia e forma equipes
  • impossibilidade de gerir capitais como FGTS, INSS e 13° de outras formas

A desvantagem mais latente em fazer parte de uma organização muitas vezes é ter que adaptar suas próprias ideias a um pensamento dominante da organização. Seu modo de trabalhar, pensar e trazer novidades pode ser exatamente o oposto preferido pela empresa.

Aliás, muitas vezes um emprego é sofrível porque é no mesmo segmento da sua grande ideia, você chegará a ter certeza de que daria certo pelas falhas do modelo retrógrado, mas novas ideias não são toleradas ou seu gestor não permite que você gaste sequer 1 hora com elas.

E com isso virá um pensamento latente e constante:

Quero experimentar!

Temos um ótimo texto no Digaí sobre o valor de começar. Este é um ponto crucial, a saída prática da ideia que se tornou projeto e agora será tangibilizada. Qual seria o MVP da sua ideia? O que seria preciso para testar? Podemos ter etapas?

O teste não se limita ao produto, ao serviço, que você pode testar a aceitação em campo ou eleger cobaias. Amplie o foco da sua ideia: praticar e estabelecer os processos que ela obrigará é importantíssimo. Isso lhe dará noção do back office necessário.

Voltando a fita: luz de atenção para lembrar do Canvas! Validar a ideia sem uma Proposta de Valor bem sólida é como jogar na loteria. A sua boa ideia não merece isso, certo? Consulte-o e reveja depois de estudar com desenvolvedores, técnicos e gestores experimentados.

Para torná-la real você se deparará com a necessidade de implementar inúmeros processos e com aval ou consulta  de profissionais de diversas áreas, em ações que nem imaginava e que certamente mudarão o projeto para caminhos surpreendentes. Examinar visões diferentes para a mesma solução é mais que saudável e essa é a hora pra isso!

O lado real dos vencedores

Lembra-se do primeiro artigo e como grandes empresas de hoje começaram com poucos milhares de dólares em garagens? A própria Apple amargou recusa de projeto do Apple I pela HP, empresa que um dos fundadores trabalhava. Ele foi viabilizado com recursos próprios e vendido na vizinhança.

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rebelpilot/flickr – Apple I no Smithsonian Museum

Essa aposta custou aos 2 fundadores suas graduações em uma das melhores faculdades dos EUA. A aceitação contundente do produto, entretanto, atraiu a atenção do então vice-presidente da Intel, que investiu U$ 250.000 na empresa. O ensaio transforma-se em estreia da noite para o dia! Ao custo de noites em claro e muita dor de cabeça, claro.

Minimizar os perigos, anular é impossível

Converse com desenvolvedores ou um gestores de finanças para ao menos estipular uma quantidade de dinheiro que o projeto pedirá e planeje como garantir um mínimo fluxo para torná-lo viável. Esse tipo de capital citado já se faz presente no Brasil, veja quantas empresas há neste ecossistema.

Lembre-se que a maioria massiva de negócios não sobrevive ao primeiro ano. Quase sempre a causa é a mesma: necessidade de nova injeção de capital para uma alteração da ideia ou para que ela ganhe tempo para vingar. E não se esqueça de todos os campos que precisam de dinheiro: tecnologia, administração, marketing e outros.

Para finalizar, se inspire no gênio da inovação chamado Jacque Fresco, com seu Projeto Vênus, entre outros: ao invés de falar indefinidamente de possibilidades, ele projeta! Este, aliás, é um dos segredos do Lean Startup, o modo de gestão das Startups: primazia pela ação!

Você não precisa ser como Fresco, que é autodidata projetista industrial, engenheiro social, escritor, professor, futurologista e inventor, mas uma bela noção em todas as esferas que cercam sua ideia será mais que necessário!

Essa imersão naturalmente forçará você a ter um fluxo de pensamento constante paralelamente a uma atividade fixa, como um emprego ou outro empreendimento que garante seu sustento. E este ensaio é importantíssimo. Um dia ele poderá ser a estreia gloriosa da sua vida!

Cenas dos próximos capítulos…

Primeiros passos prontos? Primeiras ações planejadas? Treinou bastante? Esmiuçou muitas e muitas variáveis? Então agora é hora de falar sobre Gestão de Excelência. Gerência e ingerência. Precisamos falar de Gestão no Brasil. Muito.

E então? Está curtindo a série? Gostaria de ver algum assunto específico? Conte pra gente, pergunte, compartilhe!

Fontes

Imagem do Apple I

Curiosidades sobre o Apple I e mais esse link bacana relacionado

CLT

Sobre empresas de marketing multinível

Inovação e Espírito Empreendedor – Peter F. Drucker