Este é o primeiro artigo de uma série que o autor propõe e inicia no Digaí. A ideia é bem simples: incentivar você, que está com o dilema “tive uma grande ideia. E agora?” ou enxergou uma oportunidade de inovar ao oferecer algum serviço ou produto de forma inédita. Veja o que vem por aí!

Tive uma grande ideia!

Chris Potter/Flickr/ccpixs.com

Como informadores e formadores de opinião, como profissionais que acompanham o nascimento e a transformação de ideias em grandes projetos, firmamos aqui um compromisso em propor reflexão, tirar dúvidas, mostrar possíveis caminhos e, a longo prazo, tornar o Brasil um ambiente mais empreendedor.

Vamos presentear você, potencial (ou que já é) empreendedor com chaves para você abrir portas, plantar muito trabalho e colher resultados surpreendentes.

Chave #1: por que empreender

Ao ler um dos clássicos do empreendedorismo de Peter Drucker, poderemos ver que os EUA do fim dos anos 70 apresentava um cenário de recessão semelhante ao do Brasil. O que salvou a economia? O empreendedorismo feito com excelência. Este pode ser um caminho para a retomada da economia brasileira!

Quebra de paradigmas

Vamos começar analisando o status quo brasileiro, que tem uma histórica cultura de paternalismo e, para quem tem as oportunidades consideradas “normais”, o caminho é quase sempre estudar, conquistar um emprego e se aposentar.

Pelo menos era assim que a geração baby boomer pensava. Estudar, graduar e a meta máxima: um emprego que viabilizaria todos os sonhos. Certamente a geração X, Y, Millenials, todas as seguintes ainda viverão a pressão desse sistema.

Sendo assim, você que teve uma grande ideia, se compartilhou com a família, pode já ter ouvido “é loucura”, “no Brasil é impossível”, “já é preciso ser rico para ter negócio”, prepare-se para quebrar paradigmas!

Autoconhecimento

Empreender significará um rompimento completo com o status quo citado. Vamos pensar no clássico exemplo do amigo bancário que cozinha divinamente. Dizem pra ele: “Você devia deixar seu emprego e abrir um restaurante, ficaria rico!”. Será? Ou seria melhor atuar como chef de um restaurante?

Administrar atrás da mesa de um escritório ou atuar na cozinha, criando, inspecionando pratos, fazendo a mágica? Qual a conclusão? Bem, apenas que empreender é algo que requer autoconhecimento, planejamento e ação.

O que eu quero fazer? Ser bem remunerado para fazer a minha mágica na cozinha ou ter um negócio e gerir pessoas, fornecedores, ponto, impostos e muito mais variáveis? Estabeleça etapas e objetivos com datas. Precisará de algum curso? E o dinheiro pra isso tudo?

Cursos de pós graduação como da Fundação Dom Cabral atualmente começam com uma etapa semelhante a um processo de coaching. Se você tiver oportunidade, passe por algum bem recomendado. Há muita coisa na web e muitos profissionais gabaritados: o poder de conhecer suas próprias potencialidades será muito útil ao tirar sua grande ideia do papel!

Início humilde

Saiba que a HP, a Xerox, o WWW, a Microsoft, o Linux, o Google, a Apple, todos sem exceção, nasceram de ideias, de visão de oportunidade de momento, de sonhos, do zero, com financiamento improvisado, muitos em garagens de suas famílias ou de amigos. Alguma semelhança com o seu caso?

Todos esses projetos mencionados foram baseados em tirar uma ideia do papel, do imaginário e tornar algo que impactaria realidades de alguma forma em troca de dinheiro, ou não. Outro fator em comum: foram apostas. Algumas rentáveis, outras, nem tanto.

Chave #2: os papéis das pessoas

No que sou bom?

Nos próximos artigos você verá vários fatores sobre empreender que podem parecer um mistério agora. Mas fique calmo: você não precisa dominar todas as disciplinas da Administração para tirar seu sonho do papel. Aliás, faça o contrário: você deverá se focar no que você faz muito bem, dentro do negócio que sua grande ideia pode se tornar.

Aí está a primeira dica: quais seriam as suas melhores funções nesse início (já pensando que você terá que acumular funções!)? No que você é bom? Você conseguirá fazer tudo sozinho? Esta é uma pergunta que leva ao próximo tópico.

Preciso de um sócio!

Para tudo! Não caia na falácia do “vão roubar sua ideia”. Conte a ideia a pessoas de confiança e veja como elas reagem. Conte com o networking das pessoas. Tem uma ideia de impacto social? Procure alguém tarimbado em trabalhos sociais. Encontre grupos de empreendedorismo social. Converse, procure e faça novos contatos!

Há ainda uma palavra linda no mundo do empreendedorismo: engajamento. Ao invés de convencer alguém a trabalhar com você, conte o que você quer fazer, venda sua grande ideia com o entusiasmo devido e observe quem compra a sua ideia com empolgação e poderá se juntar ao seu time.

Chave #3: declare a ideia ao mundo

Uma ajudinha aqui!

_ Ok, entendi tudo. Mas e aí? Tive uma grande ideia, já sei, mas… e agora?

Vamos focar neste momento que a sua ideia é apenas isto: uma ideia. Podemos ir mais longe nesse ponto e certamente, é muito saudável você preparar PPTs, desenhos, sketchs, praticar como puder a sua ideia em procedimentos, situações, objetos e simulações.

Há algumas técnicas bacanas para você validar sua ideia. O Digaí tem um artigo muito legal sobre Proposta de Valor, certamente é um bom começo, leia com calma. Verifique o Canvas, é um recurso que você pode usar, refazer e moldar a sua ideia de acordo com objetivos.

Fato: o Canvas é útil para empresas em qualquer estágio de maturação. Para ideias em qualquer estágio de maturação. Para intenções de impactar, em qualquer estágio! Entretanto, ele não é a única técnica. Pesquise e experimente à vontade.

Defina e mostre

Após boas horas de aspectos administrativos e conceituais em uma ferramenta como o Canvas você poderá se deparar com 2 panoramas: problemas na ideia ou uma primeira definição com caminhos a seguir. Para resolver os problemas ou dúvidas, volte ao estágio dos desenhos e dos bate-papos com pessoas mais experimentadas.

Se, no entanto, você ou seu primeiro grupo se depararem com uma ideia que se torna projeto, que ganha corpo, que tem potencial para gerar renda e/ou o resultado que você deseja, é hora de transformar esse conceito em uma identidade visual.

Defina um rosto para sua grande ideia, um logotipo, por exemplo, e declare ao mundo o que ela veio trazer de novo. Nada mais empolgante que encontrar alguém com uma ideia com grande potencial para frutificar. Este será seu primeiro posto de controle: um logotipo e um slogan que vende a sua ideia em apenas 1 frase curta.

Chave #4: escape das armadilhas

Mitos

Nos próximos artigos desta série também vamos mostrar em detalhes alguns mitos que já podem matar sua grande ideia antes mesmo dela sair do papel. Como em todas as esferas, o homem tende a generalizar o empreendimento e hoje em dia podemos afirmar que até há uma romantização.

Elevamos empreendedores famosos como Thomas Edison, Steve Jobs e cia a um patamar de herois, ignorando o lado da difícil convivência, do esforço e sacrifício financeiro próprio do começo das grandes inovações.

Aliás, esses mesmos nomes citados passaram por períodos de verdadeiras guerras de patentes ou de ostracismo, muitas vezes porque o mercado ainda não estava preparado para certas inovações, certas formas de consumo e outros concorrentes, com ideias parecidas, tomaram conta dos segmentos.

Lembrando, antes de sair do papel, sua ideia é apenas uma ideia. O que queremos no Digaí é criar um atalho para você. Uma trilha de conhecimento, ainda que não exista apenas um caminho, mas ao menos queremos protegê-lo do perigoso pântano dos mitos com vários e vários erros cometidos por vários empreendedores que temos conhecimento.

Notadamente, quase nunca ouvimos as histórias daqueles que fracassaram nos empreendimentos, mas pergunte a imensa maioria dos empreendedores atuantes quantas vezes eles tomaram caminhos errados até acertar e você se surpreenderá.

Chave #5: empreender com prazer

Já ouviu a máxima “faça o que ama e nunca mais terá que tirar férias”? Belo chavão? Sim, traz uma ideia de mundo feliz que é bem difícil crer que existirá. Mas garantimos que, com auto-conhecimento, planejamento e ação podemos ter bons vislumbres desse cenário utópico.

Por que não tornar esse processo algo divertido? Temos um ecossistema de startups em Belo Horizonte que promove eventos que misturam empreendedorismo e diversão. Por que não conversar sobre sua ideia acompanhado de cerveja e música? Este movimento está em todo o mundo!

Valorize os momentos de descontração como celebramos os de trabalho intenso! Temos a hora de exaurir a inteligência, mas devemos aprender a comemorar as vitórias por merecimento, por bater metas, por tirar ideias do papel e vê-las funcionando!

Esvazie sua mente de preconceitos e fique aberto a inovações!

Concluindo, vem nossa pergunta: o que nos diz disso tudo? Dúvidas? Comentários? Onde você gostaria que nos aprofundássemos mais? Digaí!

Algumas das fontes de conhecimento que estão sendo usadas de referência:
Inovação e Espírito Empreendedor – Peter F. Drucker
sanpedrovalley.org
O Ecossistema Empreendedor Brasileiro – Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral