Não tem como negar que muita coisa mudou depois da internet. Não foi só a forma como nos relacionamos com o mundo, mas também como o mundo se relaciona com a gente. E, de um (bom) tempo pra cá, tem sido mais e mais importante para nós consumidores nos identificarmos com aquilo que compramos, usamos, comemos ou vestimos.

Dia desses, por exemplo, em uma conversa despretensiosa com o boy magia, estávamos falando sobre o uso de celebridades em campanhas publicitárias. E, na minha opinião, cada campanha é única e temos sempre que avaliar a estratégia de marca/posicionamento para falar sobre a pertinência dela perante o mercado e a partir disso poder fazer alguns chutes sobre os possíveis resultados a serem alcançados pela marca.

Conversa vai, conversa vem… E eis que ‘Xuxa e Monange’ viram pauta do nosso papo e, junto, alguns questionamentos como: Por que é que por tanto tempo Xuxa foi a garota propaganda de uma marca que ela mesma provavelmente jamais consumiria? E por que os consumidores, em sua maioria, possivelmente pertencentes às classes CD, compram o discurso dela? (Será que compram mesmo?)

Xuxa para campanha da linha de hidratantes Monange.

Xuxa para campanha da linha de hidratantes Monange.

Gostamos de consumir produtos e marcas que nos levam para um patamar mais elevado do que o que estamos

Sabemos que, enquanto consumidores, gostamos de nos espelhar em discursos de marcas que nos ‘puxem’ para cima. Que nos mostrem uma possibilidade de mundo/consumo melhor que a que estamos inseridos. Ninguém quer estar onde já se está. É da natureza do ser humano querer mais e buscamos mais em tudo o que consumimos. Mas querer mais e almejar avançar algumas ‘casinhas’ do tabuleiro não significa ir da água ao vinho. É importante que o público se identifique em certa forma com o que está sendo visto e assim compre a ideia que está sendo vendida. O ideal é que ele veja de alguma forma que aquele discurso é real e que faz todo sentido.

Mas voltemos para o caso ‘Xuxa e Monange’. Será que o público se identifica de alguma forma com a comunicação da marca? É inegável que a apresentadora é muitíssimo popular e rainha do público CD. Colocar ela assinando alguma campanha pode ser, sem dúvidas, uma ótima estratégia de marketing. Mas quando, como e em que circunstancias isso seria apropriado ou pertinente?

Será que as marcas não deveriam ter mais cuidado ao se utilizar de uma celebridade para garoto propaganda? Uma coisa é contratar um artista para apresentar um produto, seja da forma que for. E a publicidade está aí para tornar qualquer discurso, super criativo. Mas outra coisa bem diferente é mostrar o artista afirmando ser usuário daquela marca quando ele claramente não é.

Especulemos: Será que por isso a Monange deixou de ter a Xuxa como sua garota propaganda? É que em 2013 a marca passou por um reposicionamento no mercado e, desde então, não tem mais nenhuma campanha com a assinatura da rainha dos baixinhos. Olha só como ficou a ‘nova’ carinha comercial deles:

Na minha opinião, a comunicação atual está muito melhor, bem mais adequada com o público e vejamos… MUITO mais barata para o setor de marketing. Já imaginou quanto custa o cachê da Xuxa? rsrsrs

As blogueiras são as novas celebs na publicidade

Nem é tão novidade assim, mas uma estratégia parecida com o uso de celebridades é o uso de blogueiras(os) e formadores de opinião em campanhas publicitárias. Sendo que esta última opção me parece muito mais próxima do consumidor na maioria das vezes. O blogueiro(a) pode até não ter a mesma popularidade de um ator ou atriz global, mas com certeza o discurso tende a ser muito mais honesto e vendável. Isso porque é natural que os blogueiros sejam convidados para falar ou vender aquilo que já faz parte do seu universo.

Veja só como soa muito mais coerente este discurso da Camila Coutinho, vendendo a marca de moda online Zattini.

O que acharam?

Viu só como soa natural? Tudo isso realmente faz parte do universo da blogueira em questão: falar de moda, convidar alguém para montar um look, dar opinião e dicas de combinação, expor tendências… A publicidade se confunde aí, se mistura com realidade. E se a blogueira tem um cuidado na escolha das marcas que irá permitir fazer publicidade no seu blog, aí que a coisa fica legal. Porque aí é quase que vida real, sendo classificado de publicidade apenas pelo fato de haver uma relação comercial entre marca e formador de opinião.

Com tudo isso em mente, algumas reflexões se fazem necessárias toda vez que você pensar em montar um plano de marketing ou escolher o próximo rosto a representar a sua marca: por que vou escolher fulaninho? Por que não cicraninho? Meu publico realmente se identifica com fulano? Fulano consome ou poderia vir a consumir de fato a minha marca? E por aí vai. O importante é se certificar de que sua estratégia tem uma base sólida e está apontando para a direção certa.

Pertinência é tudo.

Por fim, mas não menos importante, vamos lembrar sempre de avaliar a pertinência dos discursos nas campanhas publicitárias. Hoje em dia dinheiro é algo escasso, precisamos otimizar todos os resultados ou até mesmo ‘tirar leite de pedra’. Por isso uma campanha bem pensada, com um garoto propaganda (se essa for sua estratégia) escolhido a dedo e com um discurso afiado e pertinente, é fundamental. Pra quem trabalha na publicidade uma coisa é certa: não existem muitas regras. Não dá pra generalizar, dizer que é melhor usar blogueiro do que celebridade ou vice-versa. Tudo, tudo mesmo vai depender da sua estratégia, de um planejamento bem feito e de qual o propósito de cada campanha. Mas uma coisa é certa: temos que saber julgar o que é bacana ou não. Separar o joio do trigo… E, claro, contar sempre com uma equipe de profissionais criativos é sempre bem importante e fará toda a diferença!

 

E você? O que acha do uso de celebridades na publicidade? Acredita que esta é uma estratégia ultrapassada ou acredita que, se bem elaborada, pode render bons frutos e trazer bons resultados ao anunciante?

Vamos trocar uma ideia sobre isso tudo?! Deixa seu comentário aqui embaixo!!  🙂