Não é preciso muito esforço para ver, no Brasil, inúmeras situações desagradáveis, como de violência, corrupção, estelionato, entre outras. Até parece que não temos boas histórias para contar. Então, no caminho da contramão, escrevo este post para você.

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Venho falar do empreendedorismo na base da pirâmide. De cunho social, ele visa proporcionar, com a criação de empresas rentáveis, o atendimento às necessidades de milhares de brasileiros que estão à margem da sociedade. Entenda, margem não são só as classes D e E, mas também aqueles que possuem poucos direitos assegurados na saúde e educação, por exemplo.

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Muitos de nós, com a pressa do dia-a-dia, sequer se atêm aos verdadeiros males sociais. Digo, a realidade presidiária, dos deficientes mentais (aqueles encostados nos sanatórios), órfãos, entre outros das chamadas minorias. Termo cruel, a meu ver, pois enxergo toda a sociedade como um composto de pequenas partes e não como um grande conjunto homogêneo circundado por pequenos grupos satélites. E, segundo dados da Endeavor, cerca de 80% da população brasileira constitui a chamada base da pirâmide social.

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Desde a década passada, uma garotinha portadora de paralisia cerebral sofria bastante para se comunicar. Assim, ao perceber que a sua filha poderia continuar os próximos anos da sua vida numa realidade “muda”, o pai, Carlos Edmar de Oliveira, resolveu inventar uma solução. Sim, criou um aplicativo que dá voz aqueles que não conseguem falar. Parece óbvio, mas só o Carlos o fez.

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O nome desse aplicativo para tablets se chama Livox. Pode ser adquirido gratuitamente e o melhor não é isso. O incrível é perceber o impacto na autoestima das pessoas que utilizam esta ferramenta. Desafio você a um teste: Passe 24 horas sem pronunciar uma única palavra e vá para a faculdade, trabalho, academia, e tudo mais que a sua rotina permite. Acredito que não será fácil, tampouco confortável. Agora pense que essa é a realidade de muitos brasileiros.

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Curioso? Veja o vídeo abaixo:

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Tive a oportunidade de conhecer esse case de empreendedorismo na base da pirâmide num encontro proporcionado pela Endeavor. O Projeto Visão de Sucesso chegou ao Nordeste e tem o intuito de escalar negócios (assim como o Livox) que trabalham na transformação das classes que constituem a base da pirâmide social brasileira.

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Iniciado ano passado, já reune várias pequenas empresas, sejam elas paulistas, cariocas, e de outros estados também, que, do seu modo singular e com o “brilho nos olhos”, conseguem inovar e trazer à sociedade serviços que impactam a realidade da população.

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Talvez agora você me pergunte: O que são esses negócios sociais?

Bem, simplesmente são empresas que oferecem soluções que contribuem para a melhoria da qualidade de vida da população de baixa renda. Por se tratar de uma empresa, e não ONG, é necessário que este negócio seja financeiramente rentável. Pode ser uma startup e aí é preciso possuir um potencial escalável de oferta do produto.

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Quando li sobre isso fiquei com uma pergunta na cabeça: Como geram impacto social? A resposta para isso é simples também. Eles atendem às necessidades básicas da base da pirâmide (saúde, habitação e educação) com baixo custo e alta qualidade. E, principalmente, incluem as pessoas marginalizadas na cadeia de valor de modo que a inclusão é primordial para a atuação do negócio.

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Joaquim de Melo Neto, educador popular e líder comunitário, afirma “não há pobres, mas, sim, pessoas que empobrecem”. Este cearense, a exemplo do Prêmio Nobel da Paz Muhammad Yunus, desenvolveu um sistema econômico local que mudou o cenário de pobreza da sua comunidade do interior do Ceará. Em 1998, criou o  primeiro banco comunitário de finanças solidárias do Brasil, o Palmas.

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O Programa da Endeavor “Visão de Sucesso” espera capacitar pequenos e médios empreendedores interessados em desenvolver produtos e serviços de alta qualidade. Até o próximo ano espera-se que 100 PMEs (pequenas e médias empresas) beneficiem-se com o programa. Então, se você possui uma que já faz a mudança acontecer na vida das pessoas, inscreva-se no site. Indique, espalhe, bota pra fazer.