A sinergia entre o ponto físico e virtual não é mais novidade, assim como suas estratégias de vendas, parcerias, comunicação e promoção. Cada vez vemos empreendedores autônomos, pequenas, médias e grandes empresas criando laços extensos com  sua clientela e abusando da criatividade e adequação ao perfil do seu público.

Mas a sinergia pode ainda ser melhor trabalhada com a junção do melhor dos dois ambientes. O trabalho omnichannel, consistindo nas vendas e divulgação online, e o trabalho do ponto físico podem ser mesclados, aumentando as vendas, a promoção da marca e contribuindo para a cidade.

 

Exemplo 1

 

Sua loja de sapatos está com algumas unidades estagnadas e nem o esforço do bom vendedor consegue vendê-las. Na mesma rua, um ponto de venda de óculos também está com dificuldades de liberação das unidades. Você faz o de praxe: 20, 30, 50, 70% de desconto e não consegue dar saída. Um terceiro problema é adicionado, logo, com essas mercadorias ocupando espaço, você fica receoso de fazer novos pedidos aos fornecedores, porque não está entrando dinheiro no caixa.

 

Exemplo 2

 

Você finalmente realizou o sonho de ter um foodtruck, mas tá ficando difícil conseguir um ponto fixo, assim como fidelizar sua posição para a clientela. Sua amiga, aquela que também está começando a vender acessórios artesanais em casa também está com dificuldades de atrair clientes não apenas pelas mídias sociais, mas também pela sua residência.

 

Exemplo 3

 

O seu trabalho requer fazer demonstrações e precisa de clientes para comprar na hora o produto ou serviço, seja a venda de pratos quentes, acessórios produzidos a gosto do cliente, serviços realizados em pouco tempo e na sua cidade não tem oportunidades ou eventos que possibilitam a atração de pessoas em locais de fácil transição.

 

Pois, é. Nunca a frase “A união faz a força” foi tão bem usada no empreendedorismo.

 

A união de pequenos a médios empreendedores em feiras segmentadas, bazares, praças com espaço para posição de stands, eventos abertos ao público e feiras de fim de semana são a oportunidade de faturar a mais no mês, promover a marca, alcançar um número maior de pessoas que podem conhecer o seu trabalho e criar parcerias com empresários de vários segmentos que podem ajudar a alavancar o seu negócio.

Fotografia: Débora Ferreira- Afulô

Fotografia: Débora Ferreira- Afulô

O poder do social media

Claro que um evento onde várias empresas vão se reunir em lugares públicos requer uma organização completa e um afinamento com todos os vendedores, e isso começa com o trabalho de um profissional de comunicação, que vai explanar o evento, chamar público, dar visibilidade a todas as marcas, cativar os usuários com a anúncio prévio das lojas e empreendedores participantes, sobretudo atrações como artistas, áreas de alimentação, de moda e, se ainda sobrar tempo, um pouco de assessoria de imprensa para massificar o trabalho. Aqui a ideia é esquentar nas mídias sociais para explodir nas feiras.

 

Negócios

 

Em Juiz de Fora, Minas Gerais,existem várias dessas reuniões como o Som Aberto, realizado no campus da Universidade Federal de Juiz de Fora, organizado pela Pró-Reitoria da unidade, onde o objetivo é oferecer atividades culturais de qualidade, gratuitamente, a toda comunidade, ao mesmo tempo em que se apresenta como um espaço para os artistas da comunidade acadêmica mostrarem seu trabalho. Dentre as atrações figuram apresentações musicais, atrações circenses, capoeira, estandes variados (tapiocaria, artesanato, acessórios, brechó, entre outros).

 

O Bazar Vintage, organizado na Casa de Cultura da cidade reúne artesãos e empreendedores que se unem para renovar o guarda-roupa de quem passa no local. O coordenador do evento, Victor Charlier, conta a história. “A ideia do Bazar Vintage surgiu logo que retornei de BH, fui convidado pela atriz atriz Sandra Emília para ficar num espaço e evento que vendia figurinos teatrais no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, senti ali um enorme potencial, pois já trabalhava com brechó e estilista com minha marca Lispector há mais de dez anos.Tive a ideia de organizar um pequeno evento juntamente com a Sandra Emília, para que todos pudessem expor o que garimpavam pelo mundo ou o que estavam produzindo informalmente. Observei que em Juiz de Fora houve uma parada desses tipos de eventos alternativos, e senti um nicho para ajudar outros que não tinham espaço para expor. Fizemos a proposta para o diretor da Casa de Cultura da UFJF, que amou a ideia e nos incentivou”, reitera.

Fotografia: Débora Ferreira- Afulô

Fotografia: Débora Ferreira- Afulô

Ele explica que, após a primeira edição, muitos talentos e garimpeiros surgiram e neste momento iniciou-se a curadoria do bazar, pesquisando por trabalhos originais e de bom gosto, formando um mistura de acervos com objetos de decoração, acessórios, confecção de roupas, bijuterias , comidas e afins. ” O Bazar Vintage é um espaço de exposição, trocas e pensamentos. Também é um evento multicultural reunindo pessoas que movimentam áreas criativas da moda, cultura vintage e design. O Bazar Vintage significa um grupo de pessoas que produz e garimpa de maneira informal, e não tem onde expor. Além de ser um evento de moda, quitutes, decoração, artesanato, garimpos e cultura, tem como objetivo levar ao público uma opção de consumo que envolve originalidade e bons preços”, finaliza.

Foto: Carol Gomes Fotografia

Foto: Carol Gomes Fotografia

Bimestralmente acontece o Mercado Aberto, com a proposta de abrir espaço para criadores mostrarem seus trabalhos e também criarem a oportunidade da população de circular em um espaço público, podendo ter contato com diferentes trabalhos originais.  “A ideia de criar o Mercado Aberto surgiu ao percebermos uma carência na cidade de eventos do tipo. Pensávamos em reunir em um espaço público artesãos e pequenos criadores que já conhecíamos, além de música e gastronomia para criar um evento que trouxesse uma nova opção  de consumo e também de lazer”, explica a analista de mídias e integrante da organização do Mercado Aberto, Alice Linhares. Ela também comenta que, de início, apenas tinham 24 marcas representadas. Hoje, eles contam com 45. “O evento vem se consolidando na cidade como uma oportunidade de o grande público conhecer o trabalho e ter contato com os pequenos criadores. Assim, cria-se uma relação e muitos novos clientes e amigos são feitos no Mercado e levados para o dia-a-dia. Buscamos sempre abrir espaço para que os produtores locais possam apresentar seu trabalho único, feito em pequena escala e autoral, para que este seja mais valorizado e ganhe cada vez mais destaque”.

E você, empreendedor, que quer uma forma mais fácil de atrelar os laços entre as mídias digitais e seu ponto de vendas, deveria tentar esta modalidade de feiras e eventos. Chame alguns empresários e organize. Todos têm apenas a ganhar.