Nesta semana, o 17 Encontro Locaweb #17elew veio ao Recife e a gente do Digaí foi lá conferir, claro! Depois de um dia inteiro participando de palestras com grandes referências da internet brasileira tentei resumir o que de mais provocador eu tinha ouvido.

 

Fiz para vocês uma lista de dez ideias que me chamaram atenção e me fizeram pensar. Vamos a elas:
 
 

1 – Pense na pior solução para o problema

 

A melhor palestra do evento foi a de Murilo Gun. O comediante foi selecionado para um programa de inovação da Singularity University e contou no evento como foi a experiência dele lá. Tudo com muito humor. Uma das ideias que ele teve durante os estudos foi exatamente esta de pensar na pior ideia possível. Para ele, encarar um problema ou oportunidade desta forma ajuda o inovador a pensar “fora da caixa”, a exercitar a criatividade e a ver o objeto de estudo de uma forma completamente diferente. E aí, no final das contas, pensar na pior solução acaba ajudando a pensar em uma solução muito boa.

 
 

2 – Falhe rápido e aprenda com seus fracassos

 

Essa não é exatamente nova. Mas é boa. Mais de um dos palestrantes do #17elw falaram sobre esse tema. É muito simples, mais do que não agir com medo de errar, o empreendedor deve aprender a abraçar o fracasso. Os fracassos acontecem, ficam de lição e servem como um passo para a próxima ideia. Quem erra, aprende, e não é possível inovar sem aprender. Um empreendedor tem que encarrar o fracasso como parte do caminho para grandes resultados.
 
 

3 – Não siga tendências

 

“Quem segue alguém está sempre atrás”, disse Murilo Gun, explicando o óbvio. Mas é verdade, não é mesmo? O inovador não segue tendências, ele se antecipa a elas. E já está lá lindo e fofo quando todo mundo resolve começar a seguir aquela nova boa ideia. O empreendedor até mesmo cria as tendências, observando o movimento do mercado, do público e da inovação. Seguir é estar atrás.

 

4 – Foque nas pessoas

 

Léo Xavier terminou sua palestra sobre mobile dizendo o seguinte: “o celular não é mobile, se não, ele vinha andando atrás de mim para onde eu fosse. O celular é portátil, mobile são as pessoas”. É né? Pois bem, a ideia dele é que investir em estratégias para mobile são a boa de hoje, verdade, mas que os empreendedores devem sempre lembrar que o foco não deve ficar fixo nas ferramentas, mas estar sempre no público, nos consumidores, nas pessoas.
 
 

5 – As lojas físicas não morreram e são muito legais

 
Eu sempre gosto de ver palestra de Fred Alecrim porque o cara é sempre muito animado. Ele adora varejo e trouxe vários exemplos de inovação nessa área. O que aprendi com ele: as lojas físicas não estão morrendo. E estão passando muito bem, obrigada. É verdade que as vendas online não param de crescer e isso é ótimo. Também é verdade que a união do online com o offline é inevitável. Mas o consumidor que experiência. E as lojas físicas que oferecem experiências legais e inovadoras estão obtendo ótimos resultados em lucratividade e fidelização. Para ter acesso aos exemplos dele é só curtir a fanpage e falar com Fred por mensagem. Ele manda. E jura que não obriga ninguém a ficar acompanhando a página dele se a pessoa não quiser.

 

6 – Tire do papel

 
Erick de Albuquerque não podia ter sido mais claro na mensagem. Ele mostrou uma foto que fez, alguns anos atrás, da marca da Feec Brazil que ele havia rabiscado em um papel enquanto pensava na ideia. Em seguida, mostrou a foto do evento sendo realizado com milhares de participantes. A lição ele fez questão de repetir enquanto saltava de uma imagem para outra no projetor: papel – projeto, papel – projeto, papel – projeto. Ideia no papel é legal. Mas elas precisam ser realizadas. Tirem as ideias do papel! Se der medo, lembrem da lição 2.
 
 

7 – Lembre-se que tudo vai acontecer mais rápido do que você pensa

 

Jetson, Star Trek, Exterminador do Futuro. Quantas tecnologias men-ti-ro-sas a gente viu em filmes e séries? Mas um dia, pimba, as invenções absurdas viram realidade e nós as usamos todos os dias. Murilo Gun aprendeu na Singularity que a evolução das tecnologias é exponencial (não linear) tornando os cenários “super futuristas” sempre mais próximos que imaginamos. Tem mais. Quando essa evolução é impulsionada por uma inovação crucial (um novo material ou método, por exemplo) o gráfico acerta um “joelho”, ou seja, uma curva ascendente forte na direção do crescimento. A lição é que se o empreendedor tem uma ideia muito “à frente do seu tempo”, esse “à frente” pode não ser assim tão longe. Vide lição número 3.
 
 

8 – Não termine o trabalho às 18h (ou termine, esse ponto é polêmico)

 

“Ah mas você termina seu expediente todo os dias às seis? Mas não me diga?”. Imaginem Erick de Albuquerque dizendo isso com a cara mais irônica do mundo. Pois bem, foi assim. Para ele, empreender é trabalhar muito. Fim de conversa. Quem acha que ser dono do próprio negócio é colocar outras pessoas para trabalhar para ele… digamos que vai se surpreender. Por outro lado, Murilo Gun defendeu o ócio dizendo que “tempo livre é bom. Eu tenho muito”. Mas como ele estava em um compromisso de trabalho em Salvador poucas horas depois da palestra no Encontro Locaweb no Recife, acho que era piada. Enfim, trabalhar é bom. Trabalhar muito é melhor ainda. MAS, atenção para a lição 9.
 
 

9 – Tenha entusiasmo pelas ideias e pelo trabalho

 
O Dalai Lama é o maior defensor do entusiasmo no mundo. Para ele, nada de sólido e significativo pode ser conquistado sem entusiasmo. Não, o Dalai não palestrou no #17elw (falha grave da organização, sinceramente, absurdo!), eu li sobre isso no livro dele. Mas esta lição estava, implicitamente, presente em muito do que os palestrantes do evento mostraram. Quem quer empreender tem que mergulhar na área de trabalho escolhida de peito aberto, se envolver com os processos, estudar bastante, trocar ideias, ouvir bastante, ter iniciativas, se arriscar. Tudo isso só funciona com entusiasmo. 
 
 

10 – Seja fofo

 
Dá para cumprir todas as regras acima sendo legal com as pessoas. Aliás, o mundo é das pessoas boas. Grandes projetos e boas ideais só acontecem quando gente legal se junta para trabalhar. O mundo precisa de mais gente que dá bom dia, que ouve, que sugere, que contribui, que oferece ajuda, que compartilha a senha do Wi-Fi. Tem muita gente legal nessa nova geração de empreendedores brasileiros. É possível (e tem que ser), ganhar dinheiro, ser bem sucedido e ser fofo ao mesmo tempo. A deusa da fofura, Martha Gabriel, é a prova disso. E quem vai discordar de uma super referência como ela?

 

Concordam? Qual a lição é mais legal e qual é a mais difícil de cumprir?