Apesar de ter um acesso à tecnologia de ponta de forma mais tardia do que outras partes do mundo, o Brasil sempre se destaca no engajamento em novas mídias. Desde o surgimento das redes sociais, ainda em sua forma embrionária com plataformas como o mIRC, os brasileiros sempre mostraram-se entre os mais entusiastas do segmento e povoaram várias destas com destaque. Em seus tempos áureos, o Orkut sentiu o poder de investir no Brasil e teve nos brasileiros um dos seus principais clientes, juntamente com os indianos. Hoje, para o bem ou para o mal, sentimos o mesmo efeito no Facebook, Twitter e outras redes, levantando constantes afirmações de que os brasileiros “estragam” as plataformas que entram na moda, com correntes, espalhando notícias falsas e coisas do tipo.

 
 
Seja qual for sua posição a respeito dessa afirmação, é inegável que o Brasil está cada vez mais conectado e que isso constitui uma grande oportunidade de divulgação de negócios e conquista de antigos e novos clientes. Em uma recente pesquisa divulgada por uma das gigantes das empresas de consultoria, a PricewaterhouseCoopers (PwC), constatou-se que 77% dos brasileiros  tiveram suas recentes decisões de compra influenciadas diretamente pelas redes sociais e esse dado é tão impressionante quanto importante para podermos nos posicionar bem e aproveitarmos essa grande tendência do mercado nacional.

 
 

A Pesquisa

 
 
Em seu relatório global “Total Retail” a PwC divulga várias informações e tendências do varejo mundial e os dados sobre a influência das redes sociais atingiram níveis sem precedentes na edição de 2015. Segundo a pesquisa, que ouviu quase 20.000 consumidores em 19 países – Estados Unidos, Canadá, Chile, Brasil, Reino Unido, Suíça, França, Alemanha, Dinamarca, Rússia, Bélgica, Itália, Oriente Médio, Turquia, África do Sul, Japão, China, Austrália e Índia – entre agosto e setembro de 2014, o brasileiro sofre um impacto das redes sociais em suas decisões de compra em um nível superior à média mundial, que é de 62% contra 77% dos brasileiros.

 
 

O índice ganhou destaque na pesquisa e segundo o especialista em Varejo e Consumo da PwC, Ricardo Neves, apesar de nos últimos anos ser possível verificar o aumento da influência das plataformas na escolha dos consumidores apenas esse ano tal importância foi consolidada. “O varejo precisa olhar a rede social de outra forma”, afirma Neves e devemos observar essas palavras com muita atenção. De fato, como usuários percebemos um grande aumento da presença de anúncios e perfis corporativos e as agências de comunicação investem cada vez mais no segmento, capacitando funcionários e obtendo licenças de softwares de monitoramento para garantir a efetividade dos investimentos dos seus clientes nas redes sociais, em especial no Facebook.

 
 

A pesquisa completa pode ser encontrada aqui.

 
 

Como aproveitar a tendência?

 
 
De um modo geral, o investimento em comunicação e marketing ainda é visto com receio pela grande parcela de empresários brasileiros. À exceção das grandes corporações que possuem um vasto orçamento e uma obrigatoriedade de se fazerem presentes nas principais mídias, os pequenos e médios empresários, maioria no país, muitas vezes não conseguem enxergar a importância do investimento em comunicação. Buscando resultados imediatos para resolução problemas que são “pontas de iceberg”, eles costumam gastar em estratégias ultrapassadas e que promovem pouca interação e impacto com seus clientes. É comum, ao serem abordados por agências que oferecem serviços de comunicação, em particular no universo digital, considerarem os preços cobrados abusivos e o serviço “muito simples”, onde acabam delegando para estagiários, secretárias ou até mesmo aquele sobrinho que “sabe mexer na internet”.

 
 

Dessa forma, é preciso que as agências trabalhem bem os indicadores de desempenho e mostrem aos céticos empresários que o investimento vale a pena e consigam angariar esses novos clientes para que eles possam ver o quanto estavam enganados e espalhem a notícia de que investir em comunicação é um bom negócio. Os empreendedores, por sua vez, devem procurar informações a respeito de como as empresas têm se beneficiado e entendam a dinâmica do trabalho com as redes sociais. É necessário entender que os resultados são construídos com investimentos e trabalhos contínuos que irão construir marcas mais fortes nas redes e, com as estratégias adequadas, ajudarem os empresários a atingirem os seus objetivos e resolverem os problemas como um todo, de forma sustentável.

 
 

Hoje em dia, várias instituições oferecem cursos presenciais ou online sobre marketing digital e o uso das redes sociais e o investimento para o empresariado é relativamente baixo, comparado com os potenciais benefícios a serem atingidos. Se a PwC mostra que os brasileiros são influenciados diretamente pelas propagandas e ações nas redes sociais, devemos estudar e aproveitar esse comportamento para o nosso bem e não acreditar que sabemos como conduzir nossos negócios e que investir em comunicação é jogar dinheiro fora. Se enxergarmos a ponta do iceberg achando que ali é onde mora o nosso problema, podemos colidir com a sua grande base submersa e afundarmos mais rápido do que se imagina.