O ambiente de startups é realmente curioso e desafiante, afinal vários elementos diferentes, complementares e até conflitantes, numa perspectiva inicial, são colocados numa mesma panela e pressionados pelo tempo e a incerteza:  o método /inovação, estratégia/ execução, liderança/ gestão, risco/retorno entre outros.

 

Além disso há o agravante  do tempo e da incerteza do ambiente das startups em relação a negócios já testados no ambiente tradicional. Mas uma coisa que não é muito comum de se ver nos negócios tradicionais é a relação entre empreendedores e mentores como elemento natural do ecossistema.

 

Como grande parte de minha experiência profissional vem do ambiente tradicional, conheci vários empreendedores e empresários que conduzem seus negócios com base nos seus próprios erros e acertos, ou de familiares, quando se trata de negócios familiares. Nesse sentido pouco se encontra em negócios de pequeno porte, isto é, pessoas que façam o papel de mentoria.

 

Afinal ao empreendedor é oferecida toda glória ou frustração dos resultados de seus negócios, pois quem conhece melhor do negócio dele do que ele mesmo? E quem vai perder tempo com empreendedores que parecem não demonstrar atenção para os feedbacks externos?

 

Essa lógica parece não funcionar para startups, afinal de um lado empreendedores buscam mentores até em troca de equity de seus negócios e do outro profissionais/empreendedores disponibilizam seu precioso tempo em eventos e almoços tentando ajudar empreendedores com as mais variadas idades e experiências sem ganhos financeiros.
Refletindo sobre as diferenças destes ambientes, percebi que alguns pontos parecem tornar empreendedores mais humildes e mentores mais disponíveis em ambientes de startups.

 

Do lado dos empreendedores:

 

• O nível de incerteza é profundamente maior, logo, experiências passadas não fazem muita diferença na maioria dos casos;
• A variedade de conhecimentos para operar o negócio que vai de P&D a vendas em micro equipes. Nunca se sabe o bastante para fazer o negócio funcionar;
• Mesmo em ambientes de co-fundadores, divergências de opinião ou prioridades podem sabotar o negócio desde que não haja uma mediação.

 

Do lado dos mentores:

• A possibilidade de se renovar com ideias fora da caixa que oxigenam a capacidade de aprender;
• O sentimento de gratidão (given back) que muitos buscam depois de ter alcançado seus próprios objetivos;
• A alegria de saber que sua experiência vivida pode criar novos negócios inovadores ampliando ainda mais o ecossistema inovador.

 

Vendo assim, parece-me muito lógico para ambos os lados. E você já encontrou o seu mentor ou empreendedor?