Startups e a Síndrome da Celebridade Digital

Imaginem uma grande tenda, muitas luzes, uma plateia atenta e um mestre de cerimônias gritando o seguinte bordão: “Senhores e senhoras, sejam bem-vindos ao picadeiro do Circo Internacional das Startups! Aqui vocês conhecerão as melhores startups do mundo que irão desbancar o Facebook, Google, Microsoft e outras mais. Quem trabalhar nelas vai ficar bilionário e quem investir também! Elas foram selecionadas entre as melhores do país e os finalistas já estão a um passo do sucesso”.

 

Pode parecer engraçado, mas em meio à disposição de organizadores em promover as startups e fomentar o ecossistema para que potenciais investidores, aceleradoras, pesquisadores e  mentores possam identificar startups de alto potencial, nasce o que chamo de SÍNDROME DA CELEBRIDADE DIGITAL que aflige alguns empreendedores e apresenta sintomas típicos:

 

1º – Excesso de dedicação em participar de eventos: todos sabem que fazer networking contribui significativamente com qualquer negócio, mas algumas “celebridades digitais” passam a se concentrar em se preparar, prioritariamente, para as próximas competições de startups;

 

2º – Locais de trabalho com cara de Google: parece muito legal estar num ambiente “google” com jogos, comida, horário flexível e ambientação com cara de criatividade. Mas algumas startups esquecem que isso pode virar um grande ladrão de atenção, num momento que foco é tudo;

 

3º – Foco na quantidade de matérias geradas de seus “cases”: ávidos pelo reconhecimento do público, afinal, quantos não disseram que aquela ideia maluca não iria dar certo? A expectativa de ser a próxima notícia das redes sociais ou dos jornais de grande circulação tornam o empreendedor um verdadeiro assessor de imprensa;

 

4º – Cartões com títulos fashion (CEO, CTO, COO e outras mais): é bem interessante ver empreendedores envaidecidos com títulos utilizados por grandes corporações ou startups em fase mais madura, quando muitos nunca tiveram um trabalho ou são recém-saídos de programas de estágio.

 

Talvez alguns de vocês possam estar pensando que isso faz parte deste “show business” e de fato é! Mas o que espero que reflitam é que uma startup se valida não pelo que ela parece ser, mas pelo que ela é de fato e como pode agregar valor através de seu produto.

 

Por isso,  acredito que o foco na validação do produtos, acesso a clientes e dedicação da equipe ao produto deve absorver 95% do tempo para validar se a startup é viável.

 

Também é importante ficar atento em que medida os sintomas acima fazem parte de uma estratégia deliberada de atração de um público-alvo (investidores, colaboradores e clientes) ou se é simplesmente vaidade.

 

Caso contrário, esses sintomas persistam e a falta de foco e vaidade tome conta do dia-a-dia da startup. Inevitavelmente,  o nosso mestre de cerimônias do começo deste post terminará sua fala dizendo: CÂMERA, LUZ, MAS SEM AÇÃO! E o que mais uma startup precisa é AÇÃO!

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