Foi em um final de semana de bobeira que o roterista escocês Declan Dineen, 31, teve uma ideia simples e legal que acabou se tornando um grande projeto: visitar e conhecer pessoalmente todos os estranhos que seguiam ele no Twitter.

 

A iniciativa, que ele batizou de #meetandtweet, começou modesta. “Quanto iniciei eu tinha em torno de 176 seguidores. Mas, depois de analisá-los e eliminar robozinhos de spam e empresas, eu fiquei com em torno de 135”, conta. Para arredondar a conta, ele decidiu sair de casa e conhecer 150 pessoas estranhas que o seguissem no Twitter.

 

O resultado disso tudo? 17 cidades visitadas, uma história que viralizou por toda a Europa e um blog alimentado com vários encontros legais. Agora, esse simpático escocês que já soma 12 mil seguidores (!), está planejando a apresentação final do projeto.

 

Na primeira entrevista internacional do Digaí,  a gente conta essa história e o futuro do #tweetandmeet para vocês.

 

Digaí: Você iniciou o projeto em janeiro deste ano, quantos seguidores você já conseguiu conhecer?

 

Declan Dineen: Até hoje (19 de setembro) eu me encontrei com 146 pessoas, o que significa que falta apenas eu conhecer mais quatro para eu atingir minha meta de 150.

 

Digaí: Você estabeleceu um tempo ou um número de visistas para terminar o projeto?

 

DD: Propositadamente, eu não me dei nenhuma data limite inicialmente. Era só algo que eu achei que seria divertido de fazer. No momento que eu criasse um prazo o projeto iria imediatamente parecer um trabalho e eu ia não ia curtir mais, então eu me certifiquei que continuaria me divertindo com a ideia. Eventualmente, como eu comecei a ganhar mais seguidores, eu decidi que eu teria que ter um prazo. Também, como as pessoas começaram a se interessar pela coisa toda, eu pensei em fazer uma apresentação no final, contando a história do projeto. Para contar uma história, você precisa de um final, então 150 pessoas passou a ser meu final. Um fato que eu gosto sobre esse número é que é o número Dunbar, um termo antropológico que se refere ao número máximo de pessoas com as quais conseguimos, conscientemente, manter uma relação significativa, lembrar e reter em nossas mentes.

 

Digaí: É mais fácil dizer algo bobo ou pessoal online quando você acha que nunca vai ter que encarar na vida real quem está lendo aquilo na internet. Quando você decidiu começar a visitar seus seguidores você ficou mais consciente ou envergonhado do que você postava no Twitter?

 

DD: Definitivamente é mais fácil, sim, basta ver os comentários feitos no YouTube. As redes sociais mudaram isso um pouco porque não há mais anonimato, mas mesmo assim eu vejo algumas pessoas escrevendo coisa que me impressionam o quanto elas estão dispostas a compartilhar. Eu não me tornei mais consciente, pois sempre tive um bom filtro do que eu quero compartilhar e o que eu quero manter privado. Eu estou feliz que as redes sociais não existiam quando eu tinha 14 ou 15 anos, eu me arrepio só de pensar nas poesias horríveis que eu teria postado!

 

Digaí: Você teve medo de encontrar as pessoas que você não conhecia? Ou alguém se mostrou ser tão legal que você vai querer encontrar de novo?

 

DD: Eu não tive medo de ninguém. Eu deixei claro desde o começo que eu achava uma pena que as pessoas presumem logo que só porque alguém é um estranho que ele deve ser perigoso. 99% das pessoas que eu encontrei na minha vida inteira foram pessoas boas. Talvez nem todas elas tenham sido grandes companhias, mas nenhuma era perigosa de forma alguma.

 

Todos que encontrei até agora foram ótimos e eu não estou dizendo isso só para ser gentil. As pessoas que conheci eram inteligentes, engraçadas e interessantes. Eu tive muita sorte. Há, definitivamente, algumas pessoas que eu não conhecia com as quais manterei contato.

 

Digaí: Algum dos seus seguidores se mostrou ser tão diferente de você que você chegou a pensar porque ele estava sequer seguindo seu perfil?

 

DD: Embora tenha tido algumas pessoas não faziam a menor ideia de porque elas estavam me seguindo, eu conseguia ver uma conexão de alguma forma.  Era por conta da geografia, interesses em comum ou amigos mútuos. Isso é que é interessante com o Twitter, as pessoas que seguem você tendem a ter interesses semelhantes ou uma forma de ver a vida semelhante. Por isso que foi divertido encontrar todos eles.

 

Em seu blog, Dineen conta como foram os quase 150 encontros com estranhos que o seguiam no Twitter.

Em seu blog, Dineen conta como foram os quase 150 encontros com estranhos que o seguiam no Twitter.

 

 

Digaí: Você deixou de seguir alguém depois de conhecê-lo?

 

DD: Não. De forma alguma, todo mundo foi ótimo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Digaí: Para quantas cidades você foi para visitar seus seguidores e como você arrumou tempo para fazer isso?

 

DD: Acredito que foram 17 cidades no total. Só demorou duas semanas e eu planejei toda a rota. O Reino Unido é bem pequeno e você pode se locomover muito rapidamente de trem. Eu só tive de me certificar que eu não chegaria atrasado.

 

Digaí: Quanto tempo duraram os encontros e o que você conversava com os seguidores, já que eram todos completos estranhos para você? 

 

DD: A duração variava completamente. Às vezes, eram algumas horas, às vezes, só cinco minutos. Tudo dependia do quanto tempo a pessoa tinha e de onde a conversa levava a gente.

 

Digaí: Por que você acha que nós seguimos e, às vezes, interagimos com completos estranhos online? Você tem uma opinião diferente sobre interações online depois do seu projeto? 

 

DD: Não mudei de opinião, não, mas eu tenho uma experiência em encontrar pessoas da internet mesmo antes das redes sociais sequer exisitirem. Para mim e muitos outros o primeiro contato com pessoas online foi por meio de fóruns e salas de bate-papo. Em quase todos os casos, os fóruns eram sobre um tema específico: uma banda, um time de futebol, videogames, anime, etc. Eu acho que muitas dessas coias naquela época teriam sido um nicho de interesse e então essa era a primeira vez na história que você podia juntar pessoas com interesses semelhantes vindas de várias partes do mundo. É algo realmente inclusivo.

 

Digaí: Qual o futuro do projeto? Agora que você encontrou tanta gente,quais são os seus planos para a ideia do #meetandtweet? 

 

DD: Bem, estou quase acabando e eu devo terminar nas próximas semanas. Uma vez eu faça isso, eu vou começar a trabalhar na apresentação. Obviamente, desde que a minha história ficou viral, eu acumulei um grande número de novos seguidores e recebi muitas mensagens gentis de pessoas que gostariam de me encontrar. Por mais que eu fosse adora encontrar todo mundo, eu simplesmente não teria tempo de continuar conhecendo novas pessoas, atualmente eu tenho 12 mil seguidores! Eu ficaria fazendo isso para sempre!

 

Também acho que, já que muitas pessoas começaram a me seguir por causa do projeto isso mudaria a dinâmica um pouco. Originalmente eu só queria encontrar todas as pessoas que me seguiam. A maioria delas tinha alguma conexão comigo ou pelo menos um interesse em comum. As últimas milhares de pessoas passaram a me seguir por causa do projeto então o sentimento é diferente de alguma forma, sabe como é?

 

Entretanto, as pessoas estão animadas e eu estou feliz que elas estejam interessadas. Também, já que a minha história ficou internacional, eu tenho pessoas de todo o mundo querendo conversar comigo e eu adoraria saber qual é a dessas pessoas todas.

Então, o meio termo que eu encontrei é que é que eu vou continuar encontrando as pessoas, mas de uma forma mais casual. Sem prazo, sem limites. Eu vou tornar isso uma coluna mensal para o meu blog, vou conversar com as pessoas via Skype, e conversar sobre o ato de conversar.

 

Digaí: Agora que eu estou seguindo você no Twitter, significa que você terá que vir ao Brasil falar comigo pessoalmente? 

 

DD:  Haha! Por mais que eu fosse gostar de sair pelo mundo conhecendo as pessoas eu tenho grandes obstáculos para isso que são tempo e dinheiro! Mas, graças às maravilhas da tecnologia moderna, tenho certeza de que poderemos, pelo menos, conversar face a face via Skype.