Como se não bastasse passar por toda uma situação de drama doméstico, que milhares de mulheres enfrentam com a violência por parte dos companheiros, Luiza Brunet foi surpreendida por agressões via Instagram no último mês. Incrível haver apoiadores de ato que é crime no Brasil, com uma lei que tem até nome próprio, a famosa lei Maria da Penha.

 

A veterana da vida pública, que notadamente incomoda muita gente por demonstrar posicionamento e atitude de intolerância com a sociedade machista atual, surpreendeu a todos processando o Facebook. A empresa, dona do Instagram, recusou disponibilizar qualquer informação, seja registros ou IPs de acesso dos agressores (que podem revelar endereços reais).

 

luizabrunet

instagram.com/luizabrunet – divulgação

 

O Facebook é uma empresa privada, com sede internacional, que tem uma política própria para lidar com assuntos delicados à sua maneira. Famosos por eliminar fotos que apenas pareçam nudez, dessa vez seus diretores internacionais vão ter que lidar com uma esfera que tem tido tratamento especial no Brasil.

 

E o que isso tem a ver com o Marketing Digital?

 

Em primeiro lugar, a atitude de Luiza é algo que merece reconhecimento. Seguida por milhares de pessoas, a atriz tem plena posse de que é uma figura pública e por isso dá o exemplo. Mesmo que tenha desagradado a conservadores, é importantíssimo que as figuras públicas, assim como as empresas, não titubeiem em cima do muro quando acontecer alguma situação de crise.

 

Fica a recomendação: se explique, se posicione contra ou a favor, se comunique sem rodeios. As consequências serão mais valorosas do que ignorar algo que pode se tornar um marcante ponto fraco que vai alterar sua reputação de forma viral, como sabemos que acontece com frequência.

 

Nesta olimpíada, por exemplo, vimos um nadador americano cometer um erro infantil ao mentir às autoridades. Quanto mais o tempo passou, mais a história trazia à superfície fatos que pioravam a imagem do atleta, que, enfim, perdeu contratos milionários que desfrutava.

 

Estar próximo do público

 

Uma outra ótima lição: Luiza, se ganhar o processo, vai mostrar que as redes sociais realmente aproximam as pessoas (públicas ou não). É irresponsável pensar que estamos protegidos por um anonimato atrás de monitores ou telas de celular. Da mesma forma, as empresas estão com seus processos internos escancarados, podendo ser compartilhados, analisados e viralizados facilmente. Cometa um erro grave e desfrute de consequências nefastas.

 

Voltando às olimpíadas, é interessante notar que o que entregou as pessoas com disposição para ataques terroristas foi exatamente a falta de discrição online. Bastou uma mínima observação, uma simples busca de palavras-chave de ódio para encontrar potenciais terroristas.

 

Para ilustrar erros de empresas, basta lembrar que a Volkswagen adulterou a programação de veículos para poluírem menos em testes específicos e para privilegiar desempenho em outros. Desde que a tramoia foi exposta, a gigante automotiva está recebendo punições e golpes com fiascos de venda em um continente que se importa tanto com baixa emissão e honestidade das empresas, como a Europa.

 

Ponto para Luiza

 

Sob a ótica do Marketing Digital, temos que agradecer à Luiza Brunet pela disposição em enfrentar um gigante como o Facebook. O caso já reverbera em todo o mundo e abrirá um precedente notável: as redes sociais são um pedestal democrático, todos podem falar o que quiserem mas, a que tudo indica, será negada a possibilidade de se esquivar das consequências devidas, de acordo com o olhar ético de cada comunidade.

 

Diversas empresas e pessoas já passaram por situações, no mínimo, de saia justa nas redes. E você? Já teve que se posicionar frente a um fato grave que ocorreu relacionado à sua empresa? Como foi? Conte pra gente!