O lead jornalístico e o planejamento de comunicação

Durante alguns bons anos, trabalhei em redações de jornais impressos. Sempre busquei seguir os manuais de redação, em especial do Estadão, pois era o material utilizado como referência pelo veículo onde exerci mais tempo a função de repórter. Para noticiar fatos do dia-a-dia, escrevia matérias e reportagens com base no modelo da pirâmide invertida, procurando responder às perguntas obrigatórias “o que?”, “quem?”, “quando?”, “onde?”, “como?” e “por quê?” logo no lead (primeiro parágrafo).

 

Escrever textos diários e matérias especiais não factuais – aquelas que não exigem tanto rigor na forma, ou seja, com possibilidade de responder às perguntas ao longo dos parágrafos – tornou-se uma rotina. Porém, quando se tratava de fazer um projeto de comunicação, passava horas sem sair do canto. Sinceramente, não conseguia saber por onde começar. Durante a graduação, pouco aprendi – ou pouco me interessei – sobre planejamento e também desconhecia os “Ps” e os “Cs” do Marketing.

 

Depois de muito quebrar a cabeça, coloquei-a para funcionar. Por que não responder essas mesmas perguntas como start dos projetos? A partir daí, descobri como iniciar qualquer plano de comunicação. Tudo bem! Podem questionar como é possível algo restrito, como o lead, servir de comparação para algo tão amplo. Respondo: da mesma forma que o primeiro parágrafo pode ser o guia para os demais, essas perguntas também podem dar a direção para o restante do planejamento. Não se trata, portanto, de um fim ou uma solução completa, mas sim do começo para uma continuação mais aprofundada.

 

E como usar, então, essas perguntas na hora de preparar um projeto? O que responder diante de cada uma?

 

O QUE?

O que se pretende comunicar. O tema-central a ser apresentado. Exemplo: campanha promocional de um determinado uísque sofisticado.

 

QUEM?

O público-alvo do projeto. Exemplo: empresários, moradores da Zona Sul do Recife, com idade entre 30 e 55 anos, pertencentes às classes A e B, que viajam a serviço pelo menos uma vez por semana, frequentam festas e shows aos finais de semana, preferem bebidas destiladas à cerveja, e possuem iPhone, Ipad ou smartphones e tablets com a plataforma Android.

 

QUANDO?

Cronograma e prazos. Neste caso em específico, é interessante até mesmo criar uma tabela para se tomar como referência no desenvolvimento do projeto. Exemplo: a campanha deve durar um mês e o retorno da ação deve ser acompanhado até o terceiro mês.

 

ONDE?

As mídias que serão usadas. Exemplo: Internet, revistas, rádio e mídias espontâneas; aplicativos para Facebook e smartphones, anúncios impressos, spots e releases.

 

COMO?

Estratégias, táticas, instrumentos e ferramentas usadas para se atingir as metas pretendidas. Exemplo: Anúncio colorido, de página inteira, na contracapa da revista Época Negócios, da Editora Globo, em uma única edição.

 

POR QUÊ?

Objetivos e metas. Por qual motivo está sendo feito este planejamento? E o que se espera como resultado final? Exemplo: Divulgar a marca desse uísque junto ao público-alvo deste projeto. Alcançar 10 mil novos curtidores na página do Facebook em três meses após o lançamento da campanha.

 

 

Ainda dentro desses questionamentos, eu incluiria o “QUANTO?”, que se refere aos valores de investimento e orçamento, além do preço praticado para o público-alvo, quando houver. Então, o que você achou? Responder essas perguntas jornalísticas ajuda a iniciar um projeto?

Posts Relacionados

  • Como apresentar preços – 3 táticas cientificamente comprovadas

    COMO APRESENTAR PREÇOS – 3 TÁTICAS COMPROVADAS Como apresentar preços? Será que existem formas de tornar esse momento crucial mais suave e persuasivo? Em meu último artigo aqui no Digaí, apresentei 3 dicas cientificamente provadas de tornar o preço mais sedutor. Como muita gente veio me dar feedback pessoalmente sobre o artigo, resolvi escrever mais…

  • O marketing one to one e o engajamento digital

    É senso comum o fato de que, nos dias atuais, a “atenção exclusiva” das pessoas se constitui como uma qualidade de “mercadoria” escassa. Consequentemente, por conta dessa escassez de atenção, os profissionais do marketing vivem uma eterna busca por formas inovadoras de comunicação – que possibilitem um maior engajamento do consumidor com a mídia e…

  • MARKETING DIGITAL num mundo não tão novo assim

    Empresários que evitam experimentar o marketing digital convivem com um pobre desempenho online, mas as raízes dessas atitudes podem estar no próprio marketing.     Muitos empresários desconfiam do marketing   Muita gente acha que há uma desonestidade no marketing que não diz o óbvio e simples, ou não sabe dizer como as empresas se…

  • Como fazer email marketing que vende – mesmo numa inbox entupida

    Muita gente tem anunciado o fim do email marketing – mas a verdade, como mostra este artigo do Digaí, é que essa previsão tem falhado sempre. E por boas razões, que também já detalhei neste outro artigo. Por outro lado, se o fim não está próximo, ninguém tem dúvidas de que o email é um…

  • Tudo sobre como usar palavras-chave poderosas

    Você quer saber tudo sobre como usar palavras-chave poderosas para o Google? Está escrevendo e quer aparecer lá no topo das buscas? Então está no lugar certo… Quando o assunto é colocar um artigo que está escrevendo no topo do Google, existe uma gama de coisas que você deve fazer, porém, uma das mais importantes…