Canais pagos do Youtube: mais do que uma nova opção de monetização

Na última semana, o YouTube divulgou um post em seu blog oficial informando o lançamento de uma nova forma de monetização: os canais pagos. Vi alguns comentários em blogs e no Twitter criticando a novidade, mas minha avaliação do novo serviço é bastante positiva. Os canais pagos do YouTube talvez sejam um importante passo na revolução do consumo de vídeos.

 

 

Canais pagos no Youtube
Canais pagos no Youtube

 

 

Inicialmente, é interessante destacar que ao contrário do que alguns estão divulgando, o YouTube não decidiu cobrar por seus vídeos. Os canais pagos são apenas um serviço em que os produtores podem cobrar assinaturas dos usuários interessados em seu conteúdo. Desse modo, os produtores podem utilizá-lo ou continuar com seus canais gratuitos (monetizados do modo tradicional). Assim, a novidade não constitui um passo em direção à cobrança pelo uso da plataforma. A maior parte do conteúdo do YouTube, tanto já existente quanto novo, continuará gratuita.

 

E qual seria a possível revolução no consumo de vídeos? Para compreendê-la, precisamos analisar o fenômeno sob a ótica dos produtores de conteúdo e do público.

 

 

Novo recurso para os produtores de conteúdo

 

Do lado do produtor de conteúdo, a novidade é bastante interessante, pois permite que aqueles que têm conteúdo de qualidade e valioso para o público cobrem por isso. Desse modo, a tecnologia e visibilidade agregados pelo YouTube podem ser utilizados pelos produtores, sem que estes tenham que veicular seu conteúdo gratuitamente. O desafio é veicular vídeos com valor agregado suficiente que faça com que os consumidores desejem pagar para acessá-los, especialmente em uma plataforma caracterizada pela gratuidade.

 

Flexibilidade e conveniência para os consumidores

 

Analisando o consumidor, há alguns anos, tivemos serviços como o iTunes, que revolucionaram a indústria de música ao permitir que os usuários comprassem faixas individualmente sem precisarem comprar CDs completos. Se um disco possui apenas 2 músicas de que gosto, por que preciso pagar por outras 15? Com os canais pagos do YouTube, algo semelhante pode acontecer com a TV. Em minha residência, possuo um plano de TV por assinatura com dezenas de canais, dos quais minha família costuma assistir a pouco mais de meia dúzia. Para ter acesso a estes, preciso pagar o plano completo da operadora de TV, que naturalmente acaba me cobrando por canais que nunca assistiremos em nossas vidas.

 

Não seria mais interessante se eu pudesse escolher exatamente quais canais desejo assinar e pagar apenas por eles? O preço pago por cada canal (R$ 4,00, por exemplo) seria superior ao valor cobrado por canal no pacote de TV – atualmente, pago cerca de R$ 100,00 por pouco mais de 55 canais, o que dá aproximadamente R$ 1,75 por canal. Ainda assim, estaria fazendo economia, pois eu assinaria apenas 08 canais, o que me custaria R$ 32,00 por mês.

 

Além dessa flexibilidade e possível redução de custos, os canais pagos do YouTube trazem outro grande benefício: controle. Esse aspecto já está presente no próprio YouTube e em outros serviços  como o Netflix e tem sido cada vez mais relevante. Atualmente, dedico pouquíssimo tempo à programação de TV “convencional”, seja aberta ou por assinatura. Apesar disso, consumo semanalmente várias horas de conteúdo em vídeo, tanto no notebook quanto na (Smart) TV. Além disso, minha companhia nas horas semanais preso no trânsito foi trocada: os podcasts substituíram as estações de rádio FM. Por que isso ocorreu?

 

O motivo é simples. O usuário deseja cada vez ter maior controle sobre sua vida e seu consumo. Ao invés de ficarmos à mercê do entendimento dos canais de TV ou rádio, preferimos definir nossa própria programação. Quem sabe mais o que me interessa, eu ou eles? Além disso, como atender a um público heterogêneo, considerando o uso de apenas 01 canal de televisão ou estação de rádio? Não dá para atender a todos ao mesmo tempo. Mais do que controle, ganhamos conveniência e podemos consumir o conteúdo que nos interessa no dia, horário e local em que quisermos, seja na Smart TV, notebook, tablet ou smartphone.

 

Mas será que dá para substituir?

 

Nesse momento, alguns leitores podem estar imaginando que o YouTube ofereceria a flexibilidade de custos, controle e conveniência, mas não substituiria a TV devido à transmissão ao vivo, um “diferencial” da TV tradicional. Estes provavelmente não viram o carnaval 2013, por exemplo, em que o Youtube transmitiu AO VIVO  o que estava rolando em várias cidades, como Olinda, Rio de Janeiro e Salvador em um canal especial.

 

Diante desses recursos, temos algo potencialmente bastante revolucionário, real ameaça ao que entendemos como televisão hoje. Cada vez, estou mais certo de que os grandes e tradicionais sistemas de comunicação precisam se reinventar ou serão substituídos como as locadoras de jogos de video games, de filmes e lojas de discos foram.

 

 

Para conferir os primeiros canais pagos, oferecidos como piloto, basta visitar essa página.

 

Para submeter uma proposta de conteúdo pago para o YouTube, basta clicar nesse link.

 

Para aprender como criar vídeos para o Youtube, conheça esse curso.

 

E aí, qual sua opinião sobre isso? Deixe seu comentário!

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