Muitos querem explicar, mas nem todos têm embasamento científico para entender. Com a popularização do conceito de “efeito viral” na internet, diversos cientistas têm se dedicado a entender as motivações por trás desse efeito que leva à fama efervescente tanto vídeos, quanto músicas, comentários ou atitudes aparentemente despretensiosas. Neste artigo, você conhecerá dois estudos desenvolvidos sobre o tema que buscaram estabelecer as relações emocionais entre conteúdos que viralizam na web. Ou como fazer um viral, segundo a ciência das emoções.

1) Forte reação emocional

Num estudo realizado em 2011, Jonah Berger analisou mais de 7 mil artigos do periódico The New York Times, publicados num período de 03 meses. Ele categorizou os artigos segundo seu grau de “viralização”, ou compartilhamento. Segundo suas conclusões, o fator encontrado como mais relevante para um conteúdo se tornar viral, é o poder de ele provocar fortes reações emocionais. O resultado dessa e de outras pesquisas estão em seu livro Contágio – Por que as coisas pegam?

Segundo Berger, em primeiro lugar vêm as mensagens que evocam emoções positivas (como alegria, amizade, amor, compaixão, paz etc.) e depois vêm as que despertam emoções negativas (como angústia, aflição, ansiedade, constrangimento, culpa etc.). Você pode consultar até na Wikipedia uma lista das emoções humanas mais conhecidas. Agora, vamos a alguns exemplos de virais para verificar essa relação.

– Afeto

“Ouch, Charlie!” Os dois irmãos abaixo conquistaram a internet com um vídeo caseiro em que o pequeno Charlie morde o dedo do irmão. É um vídeo que desperta muitas emoções, dentre elas: afeto pelas duas fofuras, do irmão mais velho, paz pelo ambiente familiar, nostalgia pelos momentos da infância… enfim, diversas reações emocionais são despertadas em muitas pessoas (prova disso é a quantidade de visualizações só do vídeo original: 835.632.923).

– Alegria

Foi difícil escolher uma emoção predominante para o Harlem Shake. São muitas, e bastante confusas. O vídeo é bizarro, curioso, constrangedor, e ao mesmo tempo empolgante, bem-humorado e contagiante. A versão Original Army Edition possui 111.468.028 visualizações, mas são inúmeras versões por todo o mundo, com milhões de visualizações também. Participar do Harlem Shake parece ter sido uma experiência divertidíssima. Forte reação emocional, sem sobra de dúvida.

– Revolta

Sair sozinha sendo mulher não é fácil, foi o que nos mostrou o vídeo 10 Hours of Walking in NYC as a Woman, com 41.970.357 visualizações. O vídeo ganhou outras versões como 10 Hours of Walking in NYC as a Woman in Hijab, Walking in NYC as a Homosexual, 10 hours of walking in mumbai as a woman, e até as versões com o Batman e a princesa Leia. Todos de muito sucesso. Experimentos sociais que revelam um problema crônico são uma fórmula bastante utilizada pelos candidatos a virais, provocando nossa indignação, vergonha, medo, mas também esperança de um futuro melhor.

2) Desperta Paixões

Outro estudo bastante utilizado como referência para entender como fazer um viral é o chamado The Dragonfly Effect, de Jennifer Aaker e Andy Smith. Segundo os autores, campanhas de grandes empresas como Gap, Starbucks, Nike e Facebook só alcançam altos índices de compartilhamento por conta da paixão e do comprometimento que ajudam a despertar. E essa é uma regra que parece funcionar para qualquer tipo de vídeo.

– Paixão pelo futebol

Em plena Copa do Mundo da Fifa, a Nike lançou uma animação com algumas das maiores estrelas do futebol do momento: Cristiano Ronaldo, Rooney, Neymar, Ibrahimović, Iniesta, David Luiz, Ribéry, Howard e Ronaldo Fenômeno. Dá pra incluir forte reação emocional de novo? O resultado foram 92.137.599 visualizações só no vídeo original.

– Comprometimento com uma causa

O Desafio do Balde Gelo propôs uma brincadeira com o objetivo de promover a conscientização sobre a esclerose lateral amiotrófica (ELA) e angariar fundos para seu estudo e tratamento. Estima-se cerca de 17 milhões de desafios topados ao redor do mundo, no que acabou ficando conhecido como o maior fenômeno de mídia social global da história. No Reino Unido, o desafio arrecadou 7 milhões de libras; nos EUA, 115 milhões de dólares. Isso sim é mobilização.

3) Conta uma Boa História

Esse é o item mais importante, pois atravessa todos os outros. Segundo a psicóloga Susan Weinschenk, em seu livro Como Convencer as Pessoas a Fazer o que Você Quer, nós pensamos através de histórias, e, por isso, essa seria a melhor maneira de comunicar algo a alguém. Segundo a autora, as pessoas tendem a se comprometer mais e a tomar mais atitudes e decisões a partir das informações passadas através de histórias.

Todos os virais contam uma boa história. De repente, em uma briga envolvendo duas garotas, uma delas apanha, mas se recupera e dá a volta por cima para desafiar a oponente: “Já acabou, Jéssica?”. Teve também o dia em que um passeio de lancha quase termina mal por conta da alta velocidade – mas o maior problema mesmo foi encontrar uns óculos depois de tanta água que entrou. Ninguém pôde sair até acharem. Uma saga que até hoje acompanho é a do Leo DiCaprio, em busca do primeiro Oscar – uma verdadeira Jornada do Herói. O melhor é que há muitas maneiras de se transformar uma simples história em um fenômeno virtual.

– Conte a história

O vídeo que “quebrou” o Youtube: já foram 2.518.459.971 visualizações e milhares de paródias com milhares de visualizações. Sobre o que é esse vídeo? “Essa é a história do meu país”, arriscava dizer Psy, o autor. Gangnam Style era uma paródia ao estilo de vida luxuoso muito marcante no distrito de Gangnam, em Seul, onde foi gravado. Essa foi uma maneira bem irreverente de contar uma história.

 – Ouça a história

JoutJout Prazer mostrou que veio pra ficar com o manifesto #NãoTiraOBatomVermelho. Ela usou um tema que desperta emoções intensas e nos conta histórias revoltantes de relacionamentos abusivos. Seu exemplo fez com que muitas pessoas também tomassem a atitude de contar suas próprias histórias, o que gerou uma reação em cadeia. Quanto mais próximo da nossa realidade, mais uma história tem o poder de mexer com nossas emoções.

4) As emoções nos Virais

Existem ainda outros critérios científicos para classificar o que torna algo viral. O mesmo Jonah Berger, do livro Contágio – Por que as coisas pegam?, nos traz outros fatores, como a moeda social, os gatilhos mentais, a validação social e o valor prático da informação. Você pode ler mais sobre suas teorias aqui e aqui.

É inegável o efeito das emoções sobre o que torna algo “compartilhável”. Como seres sociais, desejamos sempre compartilhar nossas próprias histórias e as histórias de tudo o que nos desperta emoção. Quanto mais profundo uma história toca, maior parece ser seu poder de viralização. É como explica uma famosa frase atribuída a Maya Angelou: “As pessoas vão esquecer o que você disse, as pessoas vão esquecer o que você fez, mas elas nunca esquecerão como você as fez sentir”. Preparado para emocionar com mais viral agora?