O título deste post, assim meio filosófico, já dá uma ideia básica das profundas reflexões pontuadas pelo professor doutor em comunicação digital da USP, Luli Radfahrer, em conferência na Campus Party Brasil 7, em São Paulo. Como pensar a internet e toda a tecnologia que temos alcance, num futuro a longo prazo? Como não se perder na avalanche de dados e informações que nos assola diariamente sem pedir licença, simplesmente tomando conta do nosso cotidiano e acessíveis em multitelas, anytime, anywhere?

 

Luli Radfahrer na Campus Partu Brasil 7

 

 

Para tentar responder esses e outros questionamentos da nossa era midiática e convergente, o professor Radfahrer apresentou várias tendências tecnológicas, em segmentos como o automobilístico, em que o Google, por exemplo, está investindo alto em parcerias com multinacionais como Honda, GW, Audi e Hyundai na geração de um sistema aberto automotivo denominado Open automotive alliance. São projetos que visam a busca por um padrão que em breve fará parte do dia a dia de todo motorista, baseado no android e no google maps.

 

Muito se fala do armazenamento de dados na nuvem, mas ainda há poucas discussões acerca do uso do cloud computing na ciência. O conferencista citou como exemplo a computação de alta performance, multitarefas e data-intensive, utilizada em processamento de dados atmosféricos e no combate às mudanças climáticas.

 

Que tal processadores de 14 nanômetros?

 

 

Ainda na área de processamento e armazenamento de dados, o que pensar dos processadores de 14nm, que segundo Luli Radfahrer farão parte da próxima geração de computadores pessoais. São chips que virão após os de 45, 32 e 22nm, usados em dispositivos móveis e que já impressionam!

 

Agora os de 14nm podem funcionar como sensores microscópicos e vão resignificar a velocidade dos softwares, eficiência energética, espessura dos dispositivos e farão da internet de tudo cada vez mais uma realidade. Imagine você usar uma roupa com um aparelhinho desses acoplado no tecido, registrando dados, captando informações, monitorando seus batimentos cardíacos, por exemplo?

 

Podemos esperar a curto prazo muitas novidades na área de dispositivos ‘vestíveis’, como relógios, óculos, mochilas e roupas, além de milhares de inovações na área médica.

 

O longo prazo cada vez mais curto

 

Esses e muitos outros exemplos concretos foram apresentados pelo conferencista no sentido a nos levar a refletir o quanto apesar das desigualdades sociais e do acesso ainda restrito à internet de qualidade no Brasil, o mundo não pára, as tendências tecnológicas estão deixando de ser tendências cada vez mais rápido e o que antes era visto como futuro a longo prazo, agora já está diante dos nossos olhos.

 

Aos poucos somos impactados direta e indiretamente pela cibercultura marcada pelo que aparece na tela, pelo que manipulamos e utilizados a favor das nossas comunicações sociais, estudos e trabalhos, mas também fazemos parte de uma sociedade cibernética que em sua maioria não reflete sobre a rede, não conhece os códigos, e num mundo onde programar é coisa de nerd!

 

Foi exatamente ao falar de pontos mais obscuros da era virtual, que Luli Radfahrer fez todo mundo parar para pensar, num momento em que o silêncio absoluto tomou conta da plateia: puxa, que internet é essa em que estamos inseridos? Do que exatamente fazemos parte? Como os nossos dados estão sendo monitorados? “Nos curvamos ao mundo que agrada ao Google”, em que a “comunicação precisa cair no gosto do algoritmo”.

 

Estamos vivendo num mundo onde a desorientação é a regra. Segundo Radfahrer: “Nos alimentamos de informação. Informação depende de atenção. Sem atenção, ficamos desorientados e esquecidos”. Se lá no século 20, se discutia o “futurismo”, o que vinha pela frente; No atual século 21, é chegada a vez do “presentismo”, tudo é para ontem, o agora vira passado muito rápido! Onde está o aprofundamento? Como ter foco? Não é toa que já se fala tanto na tal da economia da atenção, assunto para um outro post.

 

É hora de pensar a internet!

 

Quantas horas você trabalhou para o Facebook hoje? Em meio a tantas discussões filosóficas, uma pergunta direta. Não só o Facebook, mas todas as mídias sociais são alimentadas pelos nossos dados e fazem negócios através deles. É uma visão meio sombria e diferente dos discursos que lemos por aí, mas faz pensar o fato de que se você passa o mínimo de uma hora por dia no Face, ao final de um ano, você “trabalhou” dois meses de graça para rede de Zuckerberg.

 

As reflexões da palestra do Luli me fizeram chegar a algumas conclusões: É hora de se pensar a internet! É o momento de nós usuários questionarmos mais as empresas, os sites, as provedoras, os profissionais da web. Não dá mais para simplesmente dizer que não entende e se conformar com a desorientação.

 

Precisamos refletir sobre como está a nossa postura no online, de que maneiras isso vem refletindo no offline, e não apenas nos apegarmos aos nossos avatares e sermos mais felizes navegando pelas ondas virtuais e atualizando nossas mídias sociais.

 

Busquemos esta harmonia também no mundo aqui fora! O futuro é e continuará sendo imperfeito, cabe a cada um construí-lo da maneira mais adequada, e aproveitando o que há de melhor das novas tecnologias que virão. Afinal de contas, como já disse o grande filósofo Marshall Macluhan: “Os homens criam as ferramentas, e então as ferramentas recriam o homem”.