Na língua inglesa existe um ditado que afirma “é preciso uma vila para educar uma criança”. E lembra quando a Internet era chamada de “aldeia / vila global”? Eu percebi que a combinação das duas coisas parece estar dando certo. É que muitas mães estão recorrendo à internet e tornando-se blogueiras para trocar informações sobre a criação de seus filhos, os problemas e as delícias da maternidade. Eu conversei com duas delas para entender o fenômeno.

 

A administradora Bruna Monteiro é mãe de duas meninas lindas (uma mocinha de 9 anos e uma pequena de 2) e blogueira há 4 anos. Ela conta que começou a escrever suas aventuras de mãe logo depois do nascimento da primeira filha.  “Fui me encantando pelo mundo mágico de ser mãe de um ser tão safo e cheio de peripécias, e assim, comecei a anotar tudo o que ela falava, todas suas “tiradas”. Parecia uma louca, parava o que estava fazendo – até dirigindo eu encostava no primeiro posto de gasolina que tivesse – sacava minha caneta e um moleskine e começava a escrever para não ter perigo de esquecer”, conta. Dessas anotações no papel surgiu o blog Mãetamorfose, hoje parceiro do portal de notícias NE10.

 

Para ela, o boom de blogs sobre maternidade é um fenômeno natural. “Todo o mundo está conectado, inclusive as mamães. A realidade é essa”, diz. “Muita gente prefere escrever a falar. O anonimato, às vezes, protege quando se aborda temas delicados. Coisas que muitas mães teriam vergonha de tratar cara a cara, através da net ficam mais fáceis”, pondera.

 

Um pouquinho antes do neném da jornalista Sarah Eleutério nascer, eu conversei com ela sobre o Mãe na Real, blog que ela tinha acabado de criar. A proposta dela é falar sobre as dificuldades e dúvidas que as mães, especialmente as de primeira viagem, enfrentam na gravidez e no cuidado com os bebês.Desde o início da gravidez comecei a escrever minhas experiências como desabafo. Depois percebi que muitas mulheres  não têm informações sobre o lado B da gravidez, ou seja, a parte dos incômodos, frustrações e angústias. Resolvi fazer o blog para mostrar o que é estar grávida e o que é ser mãe, na real”, explica.

 

O filho de Sarah, Eduardinho (lindinho!) completou dois meses de vida. O blog dela, três. E o retorno já está aparecendo. “As mães – e principalmente as grávidas – têm me dado um feedback interessante, dizendo sentirem as exatamente mesmas coisas que descrevo nas postagens e compartilharem das mesmas dores e chateações. Recebi, inclusive, pedidos de mães para abordar alguns assuntos em específico. Isso é bem legal!”, comemora. É também a identificação com o público que movimenta o blog de Bruna.  “Muitas vezes os problemas só mudam de endereço”, brinca.

 

Se a troca de experiências está acontecendo a todo vapor, será que essas mães se preocupam em estar falando sobre a vida de suas famílias para milhares de pessoas na blogesfera? “Às vezes isso me preocupa, sim”, diz Sarah. As blogueiras adotam medidas para não exporem demais os filhos. “Tenho cuidado em não relatar nossa rotina nua e crua, lugares que frequentamos, nunca faço check in, posto após não estar mais no lugar, evito mostrar brasão e fardas das meninas que possam identificar suas escolas”, explica Bruna. Mas, para Sarah não é possível manter um blog sobre maternidade sem mostrar alguns detalhes da vida familiar. “Se a minha intenção é compartilhar essa experiência e, quem sabe, ajudar outras mães de primeira viagem, não tenho como separar minha vida pessoal desse projeto”, conta.

 

A tônica parece ser essa mesmo. Uma troca de experiências e ideias para enriquecer a vida familiar, o trabalho e alegria de ser mãe. Várias mulheres estão arrumando tempo em suas rotinas corridíssimas para interagir com outras mães online. E algumas já inverteram essa lógica e passaram a viver dos seus blogs. Bruna resume tudo dizendo que “ainda prefere as experiências e vivências off-line!” Mas se despede deixando claro a força das mamães blogueiras na aldeia global que é a internet. “Viva a blogosfera materna!”.

 

Maetamorfose e Bruna Monteiro

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Mãe na Real e Sarah Eleutério

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Mães pela blogosfera afora:

Outros blogs interessantes sobre a maternidade.

 

Blogesfera materna

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Entrevista completa com Sarah Eleutério

 

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Digaí: Por que você decidiu iniciar o blog e até quando pretende ir registrando suas experiências?

 

Sarah Eleutério: Desde o início da gravidez comecei a escrever minhas experiências como desabafo. Depois, percebi que muitas mulheres  não têm informações sobre o lado B da gravidez, ou seja, a parte dos incômodos, frustrações e angústias. Resolvi fazer o blog para mostrar o que estar grávida e o que é ser mãe, na real. Sem o puder de ser politicamente correta sempre. Acredito que a ideia inicial era falar de gravidez, mas decidi que vou permanecer com o blog contando as experiências de uma mãe de primeira viagem, com direito a mostrar o que é uma noite sem dormir e que é normal, sim, você passar por um momento de “quero mais não”. As pessoas não devem se culpar por esse sentimento, que não tem nada a ver com o amor que sente pelo filho. E quando as mães percebem que todas as outras mães passam por isso, esse sentimento de culpa é compartilhado e as coisas tornam-se mais fáceis.

 

Digaí: Como tem sido sua troca de experiências com outras mães? Elas concordam, discordam das suas posições? Têm muitas dúvidas?

 

SE: As mães – e principalmente as grávidas – têm me dado um feedback interessante, dizendo sentirem as exatamente mesmas coisas que descrevo nas postagens e compartilharem das mesmas dores e chateações. Recebi, inclusive, pedidos de mães para abordar alguns assuntos em específico. Isso é bem legal!

 

Digaí: Você se preocupa de estar expondo sua experiência pessoal e da sua família? Que cuidados toma neste sentido?

 

SE: Às vezes isso me preocupa, sim. Não sei que dimensão pode tomar. Mas não há como seguir nessa ideia a qual eu me proponho sem expor minha vida e de minha família. Tenho um marido que compreende meu trabalho e eu deixo sempre ele ler as postagens antes, opinar, inclusive nas fotos e vídeos. Até porque ele também está sendo exposto, assim como nosso filho será. Mas se minha intenção é compartilhar essa experiência e, quem sabe, ajudar outras mães de primeira viagem, não tenho como separar minha vida pessoal desse projeto.

 

Digaí: Que outros blogs de mãe você acompanha? Qual seu favorito?

 

SE: Confesso que não acompanho um blog de mães em específico. Leio muita coisa na web e converso com muitas mães para conhecer as experiências delas. Gosto de um que se chama Corujices, mas a proposta é outra, mais voltada para o universo infantil.

 

 

 

Entrevista completa com Bruna Monteiro

 

maetamorfose

 

Digaí: Por que você decidiu iniciar o blog e até quando pretende ir registrando suas experiências?

 

Bruna Monteiro: Sempre gostei de escrever e colocar meus sentimentos no papel. Com o nascimento da minha primeira filha, fui me encantando pelo mundo mágico de ser mãe de um ser tão safo e cheio de peripécias. Assim, comecei a anotar tudo o que ela falava, todas suas “tiradas”. Parecia uma louca, parava o que estava fazendo – até dirigindo eu encostava no primeiro posto de gasolina que tivesse – sacava minha caneta e um moleskine e começava a escrever para não ter perigo de esquecer. Surgiu ali o Causos & Casos de uma Princesa. E foi através dessas histórias que comecei a blogar! Meio como um diário virtual – clichê, mas foi o que aconteceu comigo. Eu não tenho plano de parar. Vou escrevendo até onde “a vontade der”.

 

 

Digaí: Como tem sido sua troca de experiências com outras mães? Elas concordam, discordam das suas posições? Têm muitas dúvidas?

 

BM: Até agora considero tudo muito saudável. Vejo que muitas mães se identificam comigo, com as situações, afinal muitas vezes os problemas só mudam de endereço. Também não sou daquelas blogueiras “polêmicas”. Escrevo mais sobre relatos, histórias e dicas, com muito amor e humor. Evito certos assuntos, não é o foco do  meu trabalho tecer comentários instigantes e cheio de arestas. Quando abordo assuntos delicados é mais como troca de experiência mesmo, buscando informações e não falando como PALAVRA DE REI em cima de verdades absolutas. Na maternidade o que mais vejo não são verdades absolutas, mas as verdades de cada um, de cada lar, de cada família em particular.

 

Digaí: Você se preocupa de estar expondo sua experiência pessoal e da sua família? Que cuidados toma neste sentido?

 

BM: Me preocupo muito com a segurança da minha família. Tenho cuidados em não relatar nossa rotina nua e crua, lugares que frequentamos, NUNCA faço check in e quando faço é propaganda paga e só posto após não estar mais no lugar, evito mostrar brasão e fardas das meninas que possam identificar suas escolas, cursos, etc. Só envio o endereço lá de casa para empresas que conheço, a fim de que os jabás e malas diretas também sejam seguros. Já fui daquelas mães blogueiras que tiram fotos diariamente das filhas pra postar, hoje em dia evito muiiiiito. Coloco fotos com filtros e ângulos que não apareçam onde elas estão. E quando falo das coisas das meninas e situações que vivenciamos tento falar de forma bem lúdica, rimada, como se fosse uma história de livro mesmo, só que os personagens somos nós.

 

Digaí: Que outros blogs de mãe você acompanha? Qual seu favorito? De que outras iniciativas, campanhas e eventos de mãe / família você tem participado?

 

BM: Ando meio “fuleira” com a Blogosfera Materna. Acho que é a falta de tempo mesmo. Sobra pouco tempo pra navegar. Em compensação, pelo Instagram sigo várias blogueiras amigas e mães. Por ali, acompanho tudo delas e troco várias experiências. Agora tem alguns blogs da “antiga geração” pelos quais eu sou apaixonada, louca e arriada os 4 pneus como: Potencial Gestante, adoro a forma que Luiza escreve, acompanhar sua família e seus pontos de vistas é uma delicia. O Piscar de Olhos de Roberta. Apesar dela está em falta com o blog e dedicada mais ao Minha Mãe que Disse  – portal incrível por sinal – ela é a minha DEUSA na internet. Roberta escreve muuuuuito bem, de forma muuuuito desencanada, cheia de humor, tiradas incríveis, você fica viciada no blog dela (Tou com saudade, viu Roberta?). E ainda tento entrar sempre no Mamatraca e no próprio Minha Mãe que Disse, dois sites maravilhosos.

 

Digaí: De que outras iniciativas, campanhas e eventos de mãe / família você tem participado?

 

BM: Eu sou sócia dos Mini Carvalheira. São três festas durante o ano totalmente voltadas para as crianças. Super legal, vale a pena levar os pequenos! No Recife acontecem poucos eventos para as mamães. Já no eixo Rio-SP são vários encontros bombando! A gente fica só na vontade… Porque queremos, né? Quem sabe um dia eu também não me meta em organizar isso pra gente das bandas daqui…

 

Digaí: Suas meninas estão crescendo, elas já acompanham o que você posta sobre elas no blog? Como reagem? Já pedem para você não postar algo, ou já sugerem pautas 🙂 ?

 

BM: A Miúda ainda não entende, ela tem dois aninhos. Já a Princesa, no auge dos seus 9 anos, já pede pra ver, principalmente, as postagens que faço dela. Hoje em dia ela está mais desencanada, por incrível que pareça, pois imaginava que quanto mais ela entrasse na pré-adolescência pior seria em relação a isso. Mas é de fases. Tem momentos que ela não gosta que eu anote alguma coisa que ela fez, ou falou, para postar. Eu respeito. Tem horas que ela mesma me lembra de tirar uma foto, ou registrar situações para colocar no Mãetamorfose. Ela me ajuda, ajeita os objetos para meus “clicks”, pede pra ver os vídeos que posto, dá opinião. Ela é super participativa. Já já a coloco como colaboradora do Mãe… hehehehehe…

 

Digaí: Por que você acha que cada vez mais mães estão trocando experiências sobre a maternidade via blogs? 

 

BM: Todo o mundo está conectado, inclusive as mamães. A realidade é essa. A facilidade desse meio de comunicação é incrível, ainda mais com a chegada dos smartphones. Informações chegam em enxurradas. Muita gente prefere ainda escrever a falar. O anonimato às vezes protege, quando se aborda temas delicados. Coisas que muitas mães teriam vergonha de tratar cara a cara, através da net fica mais fácil se “expor”. Vejo, inclusive, consultas on-line com psicólogos, dentistas, pediatras. Lógico que não substitui o contato pessoal, mas já adianta muitos casos, e proporciona várias orientações. Viva a blogosfera materna! Mas ainda prefiro as minhas experiências e vivências off-line! Tá?  😉

 

 

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