Para os que ainda pensam que a cultura é coisa dos séculos passados, parafraseando Drummond quando no poema “Amor é Bicho Instruído”,  nos encanta ao dizer que o “Amor pulou o muro”, em Varjota, cidade do interior do Ceará, a 297 km de Fortaleza, não só a poesia pulou o muro, mas sim, todo um movimento cultural superou as possíveis resistências e vem promovendo uma verdadeira revolução, tendo as mídias digitais como suporte.

 

 

Reunião dos líderes dos grupos do movimento cultural de Varjota

Reunião dos líderes dos grupos do movimento cultural de Varjota

 

 

Teatro, literatura, dança e capoeira poderiam  até ser uma simples combinação, no entanto, nesta cidade a junção tornou-se incomum porque, mesmo formado por inúmeros grupos, trabalham como um movimento único que objetiva manter viva a memória e a cultura da cidade.   Mas como estes grupos se articulam?  Não é de hoje que o movimento cultural de Varjota, cidade com aproximadamente 18 mil habitantes, faz uso das ferramentas digitais para divulgar, articular e organizar os eventos, resultado da tão falada inclusão digital, quando pessoas  em diferentes cidades, utilizam as mídias digitais para propagar a cultura, longe dos rótulos de “cidadezinhas do interior”, os moradores usam a poesia, por exemplo, como instrumento de transformação social.

 

 

 

Um dos principais personagens deste movimento chama-se Mailson Furtado do blog “Improvisos do Mailson Furtado“, um jovem poeta e blogueiro de 22 anos, que atua não só na literatura, mas no teatro e na música.  Com dois livros publicados, ele obteve o reconhecimento na cidade e áreas vizinhas, citado no Wikipédia, como referência na literatura, teatro e evolução cultural do município.

 

 

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Por tratar-se de uma cidade pequena, os integrantes do movimento cultural não dispõem de um espaço físico para as reuniões  e apresentações. “Nos reunimos em lugares que dar pra juntar gente, seja na praça da matriz, na avenida central da cidade, nos pátios dos colégios ou no centro pastoral da igreja”, explica.

 

Vista como instrumento facilitador, as mídias digitais são utilizadas de formas diferenciadas por estes grupos, cujo objetivo é mostrar que a cultura ainda existe e não é coisa de quem vive fora do mundo ou da realidade. O uso das redes sociais ocorre desde os primórdios do Orkut que, segundo Mailson, funcionou como um ponto de partida para divulgar as ações na cidade. “Utilizávamos o Orkut de forma muito superficial, apenas com a postagem de fotos de espetáculos e divulgação.

 

Com o crescimento e popularização dos blogs, Furtado ousou não só compartilhar as ações promovidas pelo grupo, como também, publicar seus poemas, resultando daí a publicação dos seus livros. Com o Facebook, além da divulgação que é uma forma atualizada do boca a boca, os grupos conquistaram mais interação e visibilidade. “O Facebook é diferente do blog e do Orkut, por conta da popularidade, força e alcance e, devido os resultados investimos muito mais no Face”, declara.

 

Varjota –Trata-se de uma cidade de apenas  28 anos, com uma população de 18 mil habitantes, onde quase todos vivem na área urbana.  Hoje, mais de 50 pessoas estão fazendo teatro, são 3 grupos fixos: o “Entrando em Cena” com  3 anos, o “Duas Faces” da Escola Liceu WL com 2 anos e o “Cia Criando Arte” com 7 anos.  Além de Mailson Furtado, os grupos são liderados por Francisca Nogueira, Magnel Carvalho, Erasmo PortaVoz, Mara Alves, Ronaldo Araújo, Adriano Araújo, Netinha Mendes, Roniê Borges, William Sousa, e Lyderson Cordeiro, que juntos promovem  uma verdadeira revolução na tranqüila cidade.

 

Caiu na Rede – Outro exemplo de articulação e uso das mídias digitais vem lá do interior da Paraíba, precisamente da cidade de Barra de Mamanguape, que fica a cerca de uma hora e meia de João Pessoa. A cidade é habitada por famílias de pescadores, cujo sustento vem não só da pesca, mas da produção de artesanato e na condução dos turistas. Em 2011, finalmente a internet chegou e, os pescadores que nunca tinham visto um computador, começaram a fazer uso da tecnologia. A revolução no pequeno município é resultado do trabalho da linguista Thais Garcia, Mestre pela Universidade Federal da Paraíba, que chegou ao local para finalizar o mestrado. No próximo post, vamos conhecer as experiências da Thais Garcia e as mudanças que ocorreram em Barra de Mamanguape.

 

Imagens: Arquivos Mailson Furtado