Não se engane prezado (a) leitor (a). Eu amo Inbound Marketing. O Inbound Marketing acresceu minha renda, trouxe muito conhecimento e  (principalmente) me deu amigos. Na verdade, dentre as 100 pessoas que conheci nesse universo, posso dizer que tiro 5 grandes amigos. O que dá uma média de 5% dentro desse funil de vendas chamado amizade, nada mal…

Bom, mas chega de firulas. Eu amo Inbound Marketing, mas fato é que jamais consegui implantar o Inbound Marketing – em toda acepção da palavra – em nenhuma estratégia que bolei para cerca de 30 clientes que assumi ao longo de 3 anos lidando com Marketing Digital. O que dá uma média repreensível de 0% dentro do funil de vendas chamado prestação de contas com o cliente.

Opa, antes que você feche essa coluna e me mande para aquele lugar, tenho algumas coisas importantes a dizer. Não eximo o fato de que o problema possa ser exclusivamente eu, o temperamental de 37 anos vivendo no cruel habitat dos millennials. Talvez seja. Talvez não. Mas neste blog post eu vou mostrar a você – especialmente se for cliente – alguns obstáculos que travam a aplicação do Inbound nesse Brasilzão de Temer e Marcela. Segura a carteira e vem comigo!

1. Ninguém entende o que é Inbound

Lá vem você, Marcos, com a mesma ladainha. São trocentos e-books, blog posts e o diabo à quatro falando de Inbound diariamente na internet, então como assim “ninguém entende o que é Inbound”? Sim, ninguém entende. E eu incluo nesse rol não só os pobre coitados dos clientes, como os tais especialistas em Inbound Marketing, donos de empresas e o que mais vier. Simplesmente porque ninguém está a fim de entender Inbound. Falar é fácil, citar o conceito “metodologia que visa ganhar a atenção do cliente” é mais fácil ainda, mas estudar a fundo a matéria é que são elas. Tá achando que sabe tudo sobre Inbound? Então responde na lata: O que é lead?

2. É muito perfume para pouca música

Não me esqueço da frase, ouvida em noite de manguaça, em pleno show do Foster the People. Um conhecido chega e, de bate-pronto, dá o aval: Esse show tem muito perfume pra pouca música. Exatamente como é o Inbound oferecido na grande parte das empresas. O que vemos é um monte de jovem descolado, tipo com aquelas carinhas de artista mesmo, “10 k” de seguidores no Instagram, porém, com pouquíssimo conteúdo útil para passar e instruir o cliente. Normalmente, desmoronam no primeiro questionamento da clientela sobre o que foi feito com aquela grana do início do contrato para angariar leads. Ah, para que isso? São tão lindos. As melhores pessoas.

3. Ninguém sabe avaliar resultados reais

O dominó que começa com a falta de domínio sobre o assunto tende a terminar com a incapacidade de mensuração de resultados. O cliente, coitado, fica igual barata tonta. A ele, resta caçar seus resultados em métricas de vaidade, como o número de likes da Fan Page do Face, enquanto seu negócio continua basicamente na mesma. A razão para seu cliente pestanejar contra o Inbound? Possivelmente porque quem deveria conversar com ele no ato do contrato, para captar algo bastante simples chamado KPI (Key Performance Indicator), resolveu que era melhor comemorar a conquista da conta do que ouvir o anseio do cliente.

4. A RD Station faz (quase) tudo

Outra mania é fazer com que o cliente contrate um plano na RD Station, uma excelente e simples ferramenta de automação de marketing, e, no final, deixar por isso mesmo.  Até porque, para aprender a mexer na RD Station é preciso de um pouco de estudo, algo a que a garotada de hoje não se demonstra tão afeita. Ok, a RD Station é tão fácil que não precisa nem de manual de instruções. Daí, o que acontece? As contas sequer são ativadas dentro da ferramenta, pois isso exige algum tutano por parte do estrategista. Mas, e daí? É tão legal apresentar gráficos e publicar posts pela RD… Dá aquela sensação de fazer Inbound que é uma beleza! #sqn

5. É fácil se passar por especialista no mercado digital

O Marketing Digital é tão democrático que abre espaço para todo mundo. Que venham a mim as criancinhas, os profissionais autônomos e os picaretas. Esses últimos então, a quem eu carinhosamente chamo “Cabeças de Bacalhau“, chegam aos montes. Escamoteados em currículos repletos de certificados, apresentam um conhecimento bastante turvo sobre o que é Inbound. E o pior: são contratados. E aí começa o problema. Da empresa que contratou um profissional mediano e do cliente que irá nutrir expectativas sobre uma estratégia que não terá eira nem beira.

6. Inbound é o Ronalducho de toda empresa

Para quem curte futebol, basta lembrar do Ronaldo Fenômeno depois da fama e do processo de engorda. No fim da carreira, era um jogador decorativo, que custava muito aos cofres do Corinthians e tinha pouca valia em campo em termos de conversão em gols. Era usado tanto mais para atrair a torcida.  Assim como o Inbound. Visto como a “menina dos olhos” de empresas e agências por aí, ele logo é apontado como gasto inútil assim que o cliente começa a reclamar – e o chefe não sabe, ou não quer, defender o Inbound Marketing. Pobre Ronalducho.

7. Ninguém vê valor nesta m$%@

Para fim de conversa, o problema do Inbound é que ninguém anda enxergando valor nele. Onde estão os cases de sucesso? Os números? Não existem, perdidos que estão escondidos dentro da plataforma da RD Station ou Hubspot, atrás de curtidas e “K’s”. Cadê o aumento do número de clientes de determinada empresa que investiu horrores em automação? Para que serve essa caralhada diária de blog posts e e-books que o cliente pagou? Como operacionalizamos isso para que a empresa ganhe visibilidade e VENDA MAIS? No final, vamos falar de redação ou de conversão?

Se você já ouviu por aí as (X) vantagens de se investir em Inbound e Marketing Digital e está louco para entregar sua conta para a primeira empresa perfumada que vê na sua timeline, pense bem. Repense. Veja se são realmente capazes de aumentar o seu faturamento ou sua presença online. Desconfie. Não seja tragado para o mundo das entregas sem propósito. Seu dinheiro vale ouro.

Ou pelo menos, deveria valer.