Prevenindo crises: ciberativismo na publicidade.

“Iiiih, certeza que vais falar sobre ciberativismo? Melhor deixar quieto, não achas?”

Não! Tá mais o que na hora da gente falar sobre isso!

Pelo menos uma vez por dia eu preciso dizer que em um mundo onde a internet tem ganhado muito espaço e liberdade política, mais do que nunca temos que ter muito cuidado com o que falamos nela. Por isso as empresas e marcas tem que conhecer muito bem o seu público e saber o que eles estão falando, pra não cometer gafes. Quando a empresa é mundialmente conhecida, a atenção e cuidado tem que ser triplicados.

Ciberativismo

Começando pelo conceito básico, Ciberativismo é quando as pessoas defendem suas causas, mobilizam pessoas, criam protestos e fazem mudança através das mídias sociais. Seja por petições onlines ou comentários em algum conteúdo que tenha ofendido um movimento.

 “Percebe-se que a internet se constitui uma ferramenta imprescindível para as lutas sociais contemporâneas, já que facilita as atividades (em termos de tempo e custo), podendo unir e mobilizar pessoas e entidades de diferentes localidades em prol de uma causa local ou transnacional, bem como quebrar o monopólio da emissão e divulgar informações alternativas sobre qualquer assunto. ”

– Maria Eugenia Rigitano

“As vozes que se somam no ciberespaço representam grupos identificados com causas e comprometimentos comuns, a partir da diversidade de campos de interesse, de metodologias de atuação, de horizontes estratégicos e de raios de abrangência. Essas variáveis, muitas vezes, entrelaçam-se, fazendo convergir formas operativas e atividades. ”

O ativismo digital, Dênis de Moraes

Quais são os movimentos que minha empresa precisa prestar atenção?

Na verdade, todos. Porém é impossível listar a maioria aqui, é por isso que sempre digo que a empresa tem que saber muito bem o público com que está lidando. Faça uma pesquisa de público, converse e entenda ele.

Abaixo alguns dos principais movimentos dos quais mais vemos pelas redes sociais e vamos abordar aqui.

  • Feminismo: luta pelos direitos iguais entre homens e mulheres, combatendo o machismo, patriarcado e opressões.feminismopunho
  • Movimento negro: luta contra o sistema racista, preconceito, e a discriminação para com as pessoas negras.black-power
  • LGBT: luta contra a homofobia, transfobia e todas as outras fobias relacionadas a identidade de gênero ou orientação sexual.320px-gay_flag-svg_-300x185

    Os riscos de não entender qual bandeira seu público levanta.

    Além de perder clientes, uma campanha ou peça mal pensada pode gerar uma crise enorme no seu negócio, isso vale tanto para as pequenas quanto para as grandes empresas. Na maioria das vezes funciona que nem aquela frase “faça tudo certo e não ganhe reconhecimento, mas erre uma vez e seja apedrejado”.

    Infelizmente, já ouvi falar de algumas empresas fechando porque falharam nesse quesito e depois de um tempo não tinham mais clientes, ou então de campanhas que foram parar na CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) devido a propagandas abusivas ou constrangedoras, vemos bastante disso no nosso meio.

    Uma forma de conhecer mais seu público é criando a persona da sua empresa e fazer o mapa de empatia para sua estratégia.

    A Rock Content fez uma vídeo-aula bem explicativa sobre as personas, confira:

     

    Lembrando que não porque você não criou um conteúdo ofensivo para seu público que ele não pode ser ofensivo para outras pessoas. Independentemente de serem seu público ou não, é sempre bom estar atento ao tipo de conteúdo que sua campanha utiliza.

    Por que o politicamente correto parece ser chato?

    Assim como temos ouvido muito falar dos movimentos e causas, também ouvimos que essa geração é a geração do famoso “mimimi”, ou seja, aquelas pessoas que problematizam qualquer coisa. Esse conceito viralizou, acredito eu, pela falta de entendimento que vivemos em uma época em que as pessoas não toleram mais certas coisas, e o politicamente correto reforça justamente esse pensamento.

    O conteúdo politicamente correto é aquele que evita o uso de estereótipos ou de conteúdos que façam referências às formas de discriminação, vamos aos exemplos de peças publicitárias que afrontam os principais movimentos, os quais já vimos aqui:

     

  • Feminismo: A campanha da Risqué realmente deu o que falar, além de propagar a heteronormatividade, deu o nome dos esmaltes da nova coleção homenageando os homens por comportamentos sexistas, tais quais “André fez o jantar”, “Zeca chamou pra sair”, “Fê mandou mensagem”, entre outros. Confira também uma matéria da Não Me Khalo onde apresenta a possível solução da campanha, trocando o tributo aos homens por mulheres.

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  • Movimento negro: A campanha da marca de lingerie Duloren, além de ser machista, traz a mulher negra dentro de uma favela basicamente “pedindo” para ser dominada, o que ainda remete ao contexto histórico da escravidão. Foi tirada de circulação pela CONAR depois de muita revolta do movimento.

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(fonte: G1)

 

  • LGBT: A campanha criada para a marca de autopeças Meritor foi acusada de transfobia. Usaram imagens de transexuais em um calendário para ser exposto nas oficinas, vinha com os dizeres “Se não é original, mais cedo ou mais tarde você sente a diferença”, comparando elas com peças falsificadas.

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(fonte: Meio & Mensagem)

Percebam que, independentemente do seu posicionamento ou opinião, se você é dono de alguma empresa ou agência, você precisa estar atento aos movimentos e começar a trabalhar sua criatividade.

Como ser criativo sem ofender?

Sabemos que uma campanha ou peça publicitária nunca agradará 100% do público, mas isso não quer dizer que se pode sair fazendo qualquer coisa ou então que as campanhas sempre serão “chatas”.

Criatividade é a chave do marketing

Vejamos os exemplos.

  • Avon: Marca de cosméticos, é conhecida por quebrar os tabus e incentivar a desconstrução social. No comercial, vemos a venda do produto e a inclusão de gays, trans e mulheres fora do padrão social.

  • Libresse: A marca de absorventes quebra o tabu de que menstruação é algo a se esconder e nos mostra o sangue como símbolo de poder com o slogan “No blood should hold us back” (Nenhum sangue deve nos segurar).

  • ONG Criola: Aqui já vemos uma campanha institucional de conscientização contra o racismo, feita pela agência W3haus. Colocando os opressores frente a frente com os oprimidos.

Documentário Espelhos do Racismo. W3haus para ONG Criola from W3haus on Vimeo.

Reflexões

O ciberativismo é muito mais profundo e complexo do que foi explicado neste artigo, cabe a nós estudar e começar a pensar mais em como criar conteúdos, campanhas e peças cada vez mais inclusivas e menos ofensivas.

Para finalizar, deixo aqui alguns links de referências, além dos que são encontrados pelo artigo.

 

E aí, que outros exemplos vocês conhecem de ciberativsmo? Acharam que foi dito o que precisava ser dito ou faltou algo? Digaí! 😉

 

 

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