Conforme o Inbound Marketing se populariza no Brasil – sim, agora é que esse negócio tá se popularizando mêrrrmo por aqui – um surto de redatores freelas anda inchando os bancos de dados das empresas especializadas em conteúdo de cabo a rabo no Brasil. Veja os números de alguns líderes desse mercado:

      • A mineira Rock Content anuncia, no seu site oficial, que tem 3000 redatores cadastrados;
      • A catarinense Contentools não fica tão atrás e conta hoje com uma base de 1200 redatores inscritos;
      • A paulista Goomark, especializada em marketing para pequenas e médias empresas, tem um relacionamento estreito com seus 29 selecionadíssimos redatores.

Ao todo, é um bocado de gente que enxergou no conteúdo uma alternativa rentável para não só pagar as contas no fim do mês, mas dar aquele bom e velho upgrade na carreira.

redação para web

 

Nada contra esse “inchaço” da máquina do Inbound! Longe de mim! Como jornalista e escritor, sou um dos primeiros a aplaudir essa pequena nação de redatores que começa a dominar startups e agências em nome do conteúdo de qualidade, ainda que signifique mais concorrência para mim. O Brasil, especialmente, precisa disso, nem que seja com foco no branding (conteúdo para marcas, como rotulam por aí).

No entanto, também passei a perceber, conforme concorrentes me alfinetam, que a desproporção entre os redatores que realmente levam jeito para a coisa e os franco-atiradores aumenta na mesma velocidade em que empresas e clientes passam a exigir mais profissionalismo e aparato técnico no trato com essa área tão imprescindível para a estratégia. O que não é só ruim para os aventureiros, mas para toda a categoria de redatores freelancers.

 

Não quero dinheiro (só quero amar)?

 

 

redação para web

 

É, meus amigos. Jornalista há mais de 16 anos e com pouco mais de dois anos de experiência com marketing de conteúdo, acredito que o grande problema da redação para web é a grana (supostamente fácil e ligeira) que atrai, junto com uma massa bem-vinda e qualificada de escritores, jornalistas, professores e demais profissionais eventualmente alijados do mercado, um montão de oportunistas que só quer ganhar dinheiro sem fazer esforço (ou que logo descarta o marketing de conteúdo por pagar muito pouco pelo trabalho intelectual). Aí, quando percebem que a coisa é tão simples quanto tacar 500, 1000 palavras num documento, tratam de sair fora.

Como na música do Tim, redação para web é, acima de tudo, muito amor. Portanto, não se aventure por aqui se estiver apenas em busca de novos rendimentos. Conheço jornalistas que tentaram investir no marketing de conteúdo, cadastrando-se em diversas plataformas. Por mais que o mercado esteja ruindo para a nossa classe, nenhum dos meus colegas continuou ativo na produção de conteúdo. É que não é qualquer um que tem veia para o ofício. Pode escrever muito bem e tal, mas se não tiver o espírito para redigir um texto que venda, em vez de dinheiro, acaba cultivando é antipatia.

Amadorismo que se reflete no lado do cliente

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Do ponto de vista do cliente, sem dúvida, o mais interessado em ver o ROI em fluxo constante como naquele hit do Pearl Jam, concordo com a sensação relatada, tantas vezes aos berros, de que muitos dos textos entregues são redigidos apressadamente, como se fossem apenas uma tarefa entre as 10 que o redator abate diariamente em prol do pagamento para a cervejinha gelada do fim de semana. O que acontece nessa correria desenfreada? Os pseudo-autores acabam negligenciando pauta, personas, palavras-chave e sei lá mais o quê, entregando um conteúdo superficial que provavelmente terá que ser refeito. Nada a menos e nada a mais (principalmente nada a mais).

Não quero entrar aqui no mérito de que há toda uma fauna diversificada de clientes, desde os que não compreendem bulhufas das metodologia Inbound, até os que demonstram uma certa obsessão por detalhes tão pequenos de nós dois. Mas, cara, são eles que pagam pelo serviço!  Entregar um trabalho porco pode até lhe render um ou outro latão geladíssimo de Skol, mas certamente culminará com a sua substituição dentro de um mercado a cada dia mais faminto.

 

Os (únicos) redatores bem-vindos: os humildes

 

redação para web

 

Quando comecei na redação para web, meu primeiro texto foi totalmente estraçalhado na revisão. Minha primeira reação foi caçar o revisor pelas mídias sociais: minha revisora tinha pose de patricinha petulante. Engoli a seco as observações:

“Gostei do seu texto, deu para ver que você buscou referências e tals.

“Só quero que se atente nas estruturações das frases, algumas ficaram meio perdidas e sem sentido. Pode utilizar uma linguagem mais leve também” 🙂
“Sugiro fundamentar mais seu texto, lembre-se que é um post para blog, você não precisa se prender muito no formato jornalístico de entrevista, com relatos e depoimento de pessoas. Referências obviamente são importantes, pois você precisa estabelecer um ponto de vista e expressar suas ideias”
Seu texto ficou sem conclusão (ele acaba do nada, não há um parágrafo terminando o texto) e o CTA (Artigo para você entender melhor sobre CTA e sua importância: http://escrevaparaweb.com.br/como-promover-mais-interacao-nos-textos-com-ctas/ )
Sugiro que leia alguns de nossos posts:
E continue acompanhando o blog, pois ele vai te ajudar a aprimorar mais seus textos!”

(Os links foram deixados propositalmente, vai que você se interessa!)

Bom, em vez de me abalar e deixar esse modismo de marketing de conteúdo pra lá, decidi refazer o texto conforme as instruções repassadas pela tal “patricinha petulante”. Pois bem, hoje a mesma revisora trabalha ao meu lado numa Agência de Marketing Digital, depois que a indiquei para o cargo. E, como se não bastasse, a considero uma das minhas melhores amigas. Como você vê, o que podia ter terminado em um e-mail desaforado, resultou em muito mais que uma carreira. E olha que não tenho nada de humilde (fico imaginando no que poderia ter conquistado se tivesse).

Pois então, meus queridos colegas que agora aportam no mundo promissor do marketing de conteúdo e Inbound…. Saibam que é preciso ralar muito, de texto em texto, engolindo assunto ordinário e críticas desfavoráveis para que vocês possam afirmar que sim, que vivem (e bem) da redação para web. É um trabalho que se aprende na prática – e só na prática. Ou seja, encarem a sua tarefa de número 226 como se fosse a primeira, e assim por diante. Sempre. Esse é o único jeito de se dar bem por aqui. Como diria Britney, you better work, b**ch!

Tem mais o que dizer sobre esse tema controverso? Despeja aí nos comentários!