Começar é melhor do que buscar a perfeição

Quanto o assunto é criação e empreendedorismo, perdoem a piada ruim mas, é melhor deixar Marcelo D2 continuar procurando a batida perfeita sozinho. Na hora de criar, seja arte, produtos ou empresas, muitas vezes, buscar a perfeição não é o melhor caminho. Ao invés de tentar bolar aquela ideia redondinha e à prova de erros, é mais importante começar com o que se tem, colocar o plano em prática e crescer partir daí.

 

Primeiro coloque em prática, depois aprimore

Quem nunca pensou em um projeto e, um segundo depois, já começou a imaginar como aquilo poderia dar errado? “E se isso? Ou aquilo?”. O artista americano Austin Kleon fala sobre aprender no processo no livro Roube Como um Artista. Para ele, é simples: não espere saber exatamente o que fazer para começar a agir. Um criativo aprende no próprio processo de criação. O produto ou arte “perfeita” não vai acontecer na sua mente antes de você colocar a mão na massa.

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Kleon: Não espere até saber quem você para começar. (Foto: divulgação)

Perceba que não se trata de lançar um produto de qualquer jeito ou de considerar como perfeita a primeira ideia que vier à cabeça. Mas sim, de aperfeiçoar a criação na prática e não na sua imaginação. O importante não é ter a sacada impecável, mas ter a sacada factível. E buscar o aprimoramento na prática.

Mas como saber a diferença entre um rascunho (aquela ideia mais ou menos ou que realmente precisa de mais desenvolvimento) e uma solução que já está boa o suficiente para ganhar o mundo?

 

Utilize o conceito de Mínimo Produto Viável

Aplicado na gestão de startups, o princípio do Mínimo Produto Viável, ou MVP na sigla em inglês, ajuda a decidir em que momento tirar a ideia do papel.

Miguel Gaia, empreendedor à frente da Badoque Soluções Tecnológicas explica. “O conceito está baseado no Processo Lean Manufacturing de desenvolvimento de novos produtos, inicialmente criado pela Toyota, e consiste numa versão mínima de um produto que viabilize o máximo de aprendizagem sobre o cliente e suas necessidades com o mínimo esforço possível”.

 

Perceba: não é o produto perfeito. Mas é o produto viável que melhor vai permitir seu aprendizado sobre como aperfeiçoa-lo. “O MVP serve para validar hipóteses. Se eu assumo que uma parcela de consumidores gostaria de ter acesso a uma dada solução, o primeiro passo é validar essa hipótese”, detalha Miguel.

 

Dei o primeiro passo. Qual é o segundo?

“Depois que você pesquisou, validou, só tem uma coisa a fazer: ir pra rua e testar seu produto, seus processos”. Resume a jornalista Emídia Felipe. Ela é a fundadora da EuEscrevo, que conecta produtores de conteúdo com empresas com esta demanda. “Não dá pra esperar a perfeição, sob pena de você perder timing, oportunidades e experiências necessárias. E até mesmo sob pena de criar um produto “perfeito” mas que não será aceito pelo mercado”. Neste ponto, ela lembra uma observação de Théo Orosco, da Exact Sales. “Você gasta seus recursos para construir uma Ferrari de produto e, quando sai pra colocar no mercado, descobre que a estrada tem quebra-molas e buracos e que o consumidor não tem dinheiro pra botar gasolina”.

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Emídia: só tem uma coisa a fazer: ir pra rua e testar seu produto. (Foto: Aveloz/UFPE)

 

Há técnicas que ajudam a entender o que o público está dizendo sobre o seu produto ou ideia. Uma delas é o “feedback loop”. “Consiste em construir um MVP que resolva um dado problema, ainda que parcialmente, mas que sirva de base para coletar feedback dos primeiros usuários, analisá-las e então aplicar modificações/melhorias no produto até sua validação”, explica Miguel. Esse processo cria um “loop” de “implementar-medir-aprender-implementar”. A prática deve ser repetida até que se chegue ao entendimento do que deve ser o produto.

Na Badoque, o conceito de MVP é utilizado em todos os processo de criação. A ideia também foi fundamental para o início da EuEscrevo. Mas a lógica do Mínimo Produto Viável pode ser aplicada fora do universo das startups, como inspiração para que criadores de diferentes áreas tirem os projetos do papel e partam para a ação.

 

Desligue o crítico interior e continue trabalhando

O que nos impede de começar um projeto? Por que perdemos tempo duvidando das nossas próprias ideias?

Recentemente, o School of Life publicou um vídeo muito bom sobre isso. Em resumo, eles defendem que: “Um dos motivos pelo qual desistimos é a crença perfeccionista de que tudo tem que ficar ótimo no primeiro dia. Isso é loucura. Perdoe-se pelo horror que será a primeira versão e continue trabalhando, continue trabalhando”.

“Experimentar e melhorar, ad infinitum”, diz Emídia. O desenvolvimento de uma grande ideia não acontece sem o primeiro passo. Então, mãos à obra.

 

Agora é com vocês

E aí, está com aquele projeto super legal engavetado? O que falta para ele ganhar vida?

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