Vivemos tempos de crise econômica e política no Brasil e as empresas sofrem a cada dia com as incertezas e crueldades de um mercado em recessão. Neste contexto, torna-se cada vez mais importante fidelizar e conquistar os clientes – e não existe um verbo mais importante e difícil de ser conjugado do que Vender!

 

Porém, com a diminuição do consumo e a insegurança dos investidores, os empresários possuem cada vez menos capital em caixa e entram em uma difícil batalha para alocação de recursos nas diversas áreas da empresa. Com pouco dinheiro, cortar gastos torna-se crucial para a sobrevivência do negócio e a busca dos objetivos traçados no planejamento estratégico da organização.

 

 

E agora?

 

 

Quem vive o dia-a-dia do mercado, seja em uma multinacional, uma pequena empresa ou uma agência de comunicação, se depara com um cenário tenso. Os resultados não vieram para muitos e agora é o momento de olhar para dentro da empresa e do seu segmento e tentar enxergar oportunidades para virar o jogo. Neste momento os cortes de gastos são inevitáveis e todos começam a sentir um tremor em seus postos de trabalho. Os gestores se enchem de planilhas e tentam entender o que há por trás de tantos números e gráficos que parecem só apontar para baixo. Então, o que fazer nesse momento?

 

 

É preciso, de fato, que sejam analisados com muita serenidade e visão os números que saltam do computador. O empresário deve observar como cada departamento e atividade da empresa está impactando em seu custo de operação e o que pode ser feito para tornar a organização mais rentável. Normalmente o Marketing é um dos primeiros setores que sofrem com o corte de verbas, mas o maior erro que pode ser cometido é desvalorizar o poder do Marketing na luta para sair da crise. A razão é que por mais que seja possível reduzir gastos, alguns desses são importantes para o funcionamento do negócio e o bem-estar de funcionários, clientes e investidores. Sendo assim, é crucial que haja também um aumento nas receitas ou, pelo menos, a manutenção de uma base de clientes sólida e os investimentos em Marketing atuam diretamente para que isso aconteça. A sua marca não pode desaparecer da mente das pessoas e a ordem do dia torna-se gastar com inteligência e foco para comunicar de forma eficiente, buscando fazer valer a máxima de que em momentos de crise surgem também as grandes oportunidades.

 

 

Trabalhar de forma competente e criativa a divulgação de seus produtos ou serviços pode ser a chave para escapar dos momentos mais difíceis na vida corporativa, e algumas dicas são importantes para que isso aconteça:

 

 

5 dicas para fazer um bom marketing sem extrapolar o orçamento

 

 

Foque no seu usuário

 

 Nada é mais importante do que conhecer o seu público-alvo. Independente do ramo em que está inserido, qualquer empreendedor tem como missão levar algo de valor ao seu cliente e para que isso aconteça ele deve conhecer exatamente quem é aquele que ele considera como seu consumidor. Quais são as suas características? Que valores eles cultivam? Em que situações o seu produto está presente? O que ele busca ao adquiri-lo? Quais as emoções que estão envolvidas nos momentos de compra, uso e descarte desse bem ou serviço? O usuário é o mesmo que faz a aquisição do bem?

 

Essas e outras perguntas visam entender qual a linguagem, o momento e a mídia ideal para transmitir a sua mensagem. Não é barato anunciar, logo entender o seu usuário e os pontos de contato entre ele e o seu produto ou serviço são essenciais para uma comunicação eficiente e rentável para o seu negócio.

 

 

Esqueça o seu “sobrinho que mexe com computador”

 

Por incrível que pareça, uma das grandes dificuldades de quem oferece serviços de gestão de comunicação e marketing para os pequenos e médios empresários é a crença de muitos deles que essas atividades são simples e que qualquer um que tenha tempo consegue fazer. É muito comum ouvir de familiares que mexem com essas coisas ou sabem desenhar ou mesmo que são desenrolados. No momento em que cada real é importante, deve-se ter muito cuidado em como e com o que devemos economizar. Não devemos encarar algo tão importante como o diálogo com o seu cliente como uma coisa simples ou que todo mundo pode fazer.

 

Existem muitos profissionais que dedicam anos de suas vidas a entender o que há por trás de qualquer outdoor, spot de rádio ou postagem em uma rede social. A comunicação é composta de emissores, receptores, mensagens, códigos, mídias, ruídos e feedbacks. Todos esses componentes são importantes e não devemos deixá-los sob a responsabilidade de leigos. Não são poucas as vezes que grandes cifras são desperdiçadas em razão de uma mensagem mal transmitida, escolha equivocada de mídia, falta de clareza de quem é o receptor ou qual o código adequado para atraí-lo. Essa é uma lição simples e muito importante, que nos leva à próxima dica.

 

 

Contrate profissionais capacitados e que entendam o seu negócio

 

Outra máxima vale nesse momento: muitas vezes o barato sai caro!. O mercado do Design/Comunicação/Marketing sofre com a desvalorização dos seus serviços. Em parte por culpa dos próprios profissionais, que para não perderem aquela oportunidade acabam praticamento preços que desvalorizam a categoria como um todo. É muito difícil convencer um empresário de que o serviço ideal para a sua realidade vale R$5.000,00 mensais, por exemplo, quando os concorrentes oferecem por metade ou até menos do que isso.

 

No entanto isso ocorre por conta do descrédito de muitos empresários sobre as dificuldades e benefícios de criar uma campanha de comunicação realmente interessante e correta para cada negócio. Trabalhar uma marca não é algo simples e não é um serviço de “prateleira”, ou seja, cada cliente, cada realidade, exige um trabalho específico e que exige capacitação e pesquisa. Busque empresas com experiência (mas tenha em mente que muitas jovens agências podem realizar bons trabalhos), com bons profissionais, antenada com as tendências e que entenda a dinâmica do seu negócio.

 

 

Pratique a boa comunicação desde o início

 

Quem busca trabalhar com excelência uma marca deve entender que não existem órgãos mais importantes no corpo humano do que os olhos e os ouvidos. Saber ouvir é importante para todos os envolvidos no processo. Os prestadores de serviços devem entender que ninguém conhece melhor um segmento do que aqueles que o vivem no cotidiano. Ter essa noção é extremamente importante para um diálogo saudável e produtivo. Se em uma reunião de prospecção, por exemplo, o vendedor não busca entender a realidade do seu potencial cliente, ele nunca será capaz de estabelecer uma relação de confiança, uma vez que pode, pretensiosamente, expor pontos de vista equivocados e precipitados, resultando em uma situação muitas vezes irreversível e que pode colocar um bom negócio em risco.

 

Por outro lado, os empreendedores devem compreender que em vários momento a visão de quem está do lado de fora é enriquecedora. A falta de vícios e paradigmas podem trazer insights que fazem toda a diferença. Além disso, são os profissionais da área que sabem enxergar nas entrelinhas e entendem a melhor forma de traduzir valores e qualidades em mensagens criativas e eficazes. Observar as interações do dia-a-dia com olhos e ouvidos bem atentos é o primeiro passo para uma boa comunicação.

 

 

Respeite os prazos

 

Um outro problema chave da relação entre empresas e agências de design/comunicação/marketing é o alinhamento de prazos. De um lado demandas “para ontem” são mais comuns do que deveriam ser. Do outro, muitas vezes há uma inabilidade de negociação por parte dos prestadores de serviços que, ou aceitam qualquer prazo para não perder o cliente e entregam um trabalho de qualidade duvidosa (e assim acabam contribuindo para a descrença do empresariado), ou não sabem justificar a importância do tempo solicitado para a maior eficiência da ação (sem falar dos casos onde os próprios envolvidos – contratantes e contratados – não tem a capacidade gerencial de organizar os seus processos de modo a evitar perdas de tempo desnecessárias).

 

É preciso que cada empresa seja muito bem organizada internamente e que o diálogo seja muito claro desde o começo, buscando entender quais os reais problemas e como podem ser encontradas as soluções. Não adianta assumir como verdade o briefing passado sem investigar a fundo o cenário ou exigir uma mágica que resolva tudo aquilo que vem causando dor de cabeça ao empresário. Para a realização de um trabalho bem feito, considerando as dicas supracitadas e demais atividades de pesquisa e busca de soluções, demanda-se tempo. É preciso investigar o que há de errado, entender o problema real, quais as possibilidades de atuar nessa questão, testar alternativas, monitorar e adaptar campanhas ao longo de um tempo razoável, evoluir a estratégia ao longo de sua execução.

 

O mercado é dinâmico e com as novas tecnologias e meios de comunicação, a atividade de vender e fazer marketing deve respeitar e trabalhar com essa dinamicidade. O melhor prato de um restaurante é o sucesso que é por respeitar os seus procedimentos desde o planejamento inicial e isso passa por permanecer o tempo certo no forno antes de ser servido. O erro de muitas empresas é lançar produtos, serviços e campanhas cedo demais pois “não podem esperar” e acabam por desperdiçar uma importante janela de comunicação com o seu consumidor. Seja eficaz! Em momentos de crise e pouca verba gastar bem é gastar certo. Lembre-se sempre: muitas vezes o barato sai caro!

 

 

Claro que não existe receita de bolo para trazer aqueles clientes que vão salvar o seu negócio ou tirá-lo de uma crise, mas com esses passos que foram idealizados a partir de experiências que vivi (ou testemunhei) estando tanto nas empresas que contratam as agências como nelas próprias, acredito que é possível utilizar de forma inteligente e eficaz os recursos que, acreditem, estão escassos para todos. Esperamos que o momento econômico mude em breve, mas para que isso aconteça temos que fazer nossa parte como motores da economia e o marketing é sim um ponto fundamental que não pode ser negligenciado!