Exatamente. Este artigo aponta na assertividade de ajudar a informar cidadãos que não têm o hábito de se informarem pelas mídias sociais, ou devido à distância, afazeres e localização, não conseguem ter o hábito de abrir alguma plataforma de mídia, ou mesmo não têm a oportunidade de conferir o que está acontecendo virtualmente.

Geralmente as áreas afetadas são distritos ou áreas isoladas de centros comerciais, pertencentes a cidades de médio a grande porte; cidades de poucos bairros, zona rural e povoados. Esses locais são caracterizados, tratando-se de comunicação, pelo método mais simples: boca a boca. Vizinhos se informam, discutem e comentam as notícias durante visitas, encontros ou aquela famosa passadinha rápida pra ver como está.

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Fonte: Pixabay

Sistema de diálogo com o povo

Se você vai trabalhar em alguma empresa institucional, prefeitura, câmara, associação, sindicato, etc, ou mesmo numa empresa comercial, é preciso antes de qualquer coisa (pode abaixar a caneta), fazer algo imprescindível: dar uma volta na rua.

É sério. Para um pouquinho de ler este post e vai dar uma volta na vizinhança, no centro comercial, senta num banco da praça e conversa com as pessoas. Procura ver como elas se informam, se comunicam sobre os fatos cotidianos, os hábitos, o consumo de informação. Converse, faça amizade, se relacione. Entenda como a comunidade funciona.

Pronto, pode voltar a ler, rs.

Leve todos esses dados e faça o mapeamento para verificar como você vai traçar seu planejamento de comunicação, o tipo de persona, ferramentas que podem acertar e as que não podem.

Diego Siman, diretor e jornalista responsável do Jornal semanal impresso Listão, na cidade de Ponte Nova, Minas Gerais, conta para nós a rotina do consumo de notícias na cidade. “Com a atual crescente da tecnologia que leva rapidamente a informação através de aplicativos de telefone celular e também da internet, as pessoas ficam meio divididas, mesmo assim muitos ainda continuam com a tradição de ler seu jornal em busca da informação”, explica. “ Se por exemplo eu ficar uma semana sem rodar o jornal, na semana seguinte os clientes ligam para a redação querendo saber o motivo que não circulou, além das demais pessoas que se acostumaram a comprar seu jornal semanal nas bancas, padarias e demais pontos de venda”.

Diego Gomes (ao cento) entrevistando os cantores Leonardo e Eduardo Costa

 

Sobre a rapidez da publicação de notícias, Diego comenta que as pessoas ficam mais interessadas no detalhamento dos fatos. “Outras nos param na rua e perguntam se vai sair ‘tal acontecimento na cidade’ e esperam a sexta-feira chegar para comprar seu jornal, pois segundo eles nós publicamos as matérias com mais detalhes que os sites de notícias”, afirma.

Qual a necessidade de consumo de informação dessa população?

Claro que seu órgão possui um site, ou uma Fan Page, mas se os hábitos da comunidade não contradizem com a rotina, serão plataformas informativas, mas não seu investimento central. Estude as pessoas para depois estudar as ferramentas necessárias.

Rádio: Principalmente para quem trabalha longe, seja em plantações, cuidando de animais, terrenos, obras, construções, etc. O trabalhador pode levar um aparelho portátil e escutar enquanto trabalha. As notícias precisam ter a linguagem mais clara possível, para evitar contradições, falta de entendimento e bem diretas. Talvez ele esteja concentrado numa determinada atividade e não possa se concentrar 100% na informação. A notícia precisa fluir no ouvido do ouvinte.

Jornal: É preciso uma pesquisa rápida antes de produzir. Informativos? Quantas páginas? Seções? Qual a forma de entrega? Que horas vai entregar? De madrugada, pois as pessoas saem cedo para se deslocarem para o trabalho? De noite, pois todos estarão em casa se preparando para descansar? Vamos dar notícias locais ou notícias gerais? Ou as duas? Quais os critérios de noticiabilidade?

Carro de som: Sim, uma das ferramentas de comunicação mais tradicionais do nosso país. Que anuncia desde preço de produtos, missas a velório. E pode ajudar nas informações mais precisas e simples, relacionadas a saúde (período de vacinação, tratamento de animais, combate a dengue), educação (matrículas, cadastramento, programas públicos), transporte, segurança, cultura. Enfim, da mesma forma que ele vai espalhar os fatos por todas as ruas, quem ouvir, vai disseminar para todos os conhecidos.

Outros meios como TV, jornal mural, banners, placas, revistas, etc, dependem de um planejamento orçamentário, funcional, estratégico e de viabilidade.

Indagado sobre quais as primeiras ações que devem ser tomadas para quem vai trabalhar como assessor em cidades de pequeno porte, o assessor de comunicação da Prefeitura de Lima Duarte, Vinícius Ribeiro afirma que é necessário primeiramente criar redes de informação. “Normalmente, nesses locais o tradicional impresso e os canais de tv não funcionam tão bem, não seguem uma periodicidade e atrasam as informações. Mas as redes sociais atingem bons resultados, com informações instantâneas. Além disso, permite uma maior aproximação entre emissor e receptor da mensagem. As pessoas compartilham, comentam, marcam outras, etc”, finaliza.

Vinícius Ribeiro, assessor de comunicação de Lima Duarte - MG

Vinícius Ribeiro, assessor de comunicação de Lima Duarte – MG

 

Estimulação do uso da internet

Claro que esses meios são excelentes para sanar o vazio da falta de informação, mas cabe ao município proporcionar a comunicação digital no local, seja para ampliar – ou mesmo adicionar – o sinal telefônico em regiões onde não é possível fazer ligações ou utilizar internet móvel, oferecer internet de graça em pontos públicos da cidade, trazer empresas que forneçam a conexão por um preço que cabe no bolso dos cidadãos e, assim, tornar o local não apenas mais inserido no meio digital, mas oferecer meios de se informar, comunicar, interagir e aprender.

Comunicação abre portas para o aprendizado, online ou offline. Gostou do planejamento? Também temos um artigo direcionado ao trabalho de assessoria, clicando aqui. Deixe seu comentário sobre o que achou e se tiver ideias para acrescentar, pode enviar!