Esta é a segunda parte contendo mais armadilhas perigosas ao empreender. Se você não leu as 5 primeiras, volte à primeira parte. Continuamos aqui a lista com 11 armadilhas que talvez soem repetitivas, mas nunca é demais ler para refletir.

#6: Menosprezar profissões

Este item também vem da experiência do autor e de relatos em seu networking. Vamos pegar um exemplo extremo. Uma senhora vai ao médico e retruca, após toda a anamnese e explicações que “a Fulana teve isso, tomou apenas [insira o remédio da moda] e já melhorou”.

Ela já foi a certo especialista esperando que isso seria receitado, ignorando todo o trabalho de investigação feito pelo profissional. Se em Medicina temos esse quadro frequente, que dirá de Administração, Marketing ou Design?

Precisamos muito mais que bons profissionais para desenvolver nossas demandas: precisamos de aliados engajados com nossa causa. Não podemos ignorar disciplinas diversas que nosso projeto, nossa ideia, nossa empresa pode demandar.

Sempre falo muito em Gestão, mas quero lembrar que dentro da Gestão temos departamentos super complexos que merecerão sua atenção: Finanças, Gestão de Pessoas, Departamentos Técnicos, Relação com Terceiro Setor, etc.

“As pessoas são espertas. Muitas vezes quando noto que estou na reunião praticamente dando uma consultoria de graça, eu me levanto e vou embora”. O autor tem essa mesma sensação às vezes quando vai conversar de Marketing Digital.

Os profissionais precisam ser valorizados. Qualquer pequena solução que for pensada para o seu negócio implica em combinação de várias disciplinas de domínio do profissional aplicadas para gerar ações positivas e, obviamente, precisam ser remuneradas e colocadas em um plano.

Ou serão simplesmente insights. E você precisa de soluções.

#7: Imobilizar todo o capital

Essa armadilha foi relatada e percebida com veemência por profissionais que desenvolvem soluções em aplicativos. Na sanha de conseguir seu protótipo o mais barato possível, é normal que o empresário ignore alguns avisos de profissionais experimentados pelo caminho.

Repetidamente ouvimos que uma estimativa é “absurda!”; “esperava gastar metade”. Vamos ser bem diretos. O investimento necessário para tirar sua ideia do papel depende muito do esforço feito por profissionais para concretizá-la.

Ouvir segundas e terceiras opiniões é muito válido. Porém, somando-se à armadilha #6, é aqui que seu projeto vai continuar ou morrer. Cansamos de ver projetos que morreram por se imobilizar todo o capital. É como apostar todas as fichas já na primeira rodada do jogo de poker.

Quantas vezes você ouviu falar de APPs que deram certo de primeira? Indo mais fundo, os valores de cada empreendedor influenciam para que as soluções deem mais ou menos dinheiro.

Uma mudança de diretoria e um novo aporte de dinheiro pode significar transformação profunda do aplicativo e mais, dos resultados. Um valor de sustentabilidade pode dar lugar a um valor de alta rentabilidade. E vice-versa.

Divida o processo em etapas e preveja orçamento para os vários momentos do projeto. Pré-projeto. Marketing. [insira alguma demanda específica do seu projeto].

Implementação de protótipo. Protótipo 2? Protótipo 3? Ajustes para primeira versão. Versão 1.2? Versão 1.3?

Ajustes de Marketing. [insira aqui formatos variados para tornar o APP conhecido; leia-se Divulgação]. É assim que a banda toca.

#8: Não conhecer seus sócios

Quando estamos no fim do curso da Faculdade estamos em um momento em que amizades já foram feitas e desfeitas. Elegemos alguns preferidos e normalmente eles são nossos primeiros sócios.

Estamos empolgados, empreendemos juntos, como pensamos que deve ser e muitas vezes, em alguns anos de mercado, em que somos forçados a amadurecer, descobrimos que nossos sócios podem ser muito diferentes de nós. Ou mais: que os anos podem mudá-los.

Quando somos jovens temos a ilusão de que as organizações que criamos devem ser imortais, imutáveis, como um obelisco egípcio. Leiam a Armadilha #2 novamente. Ideias tornam-se diferentes. Métodos tornam-se diferentes.

Aliados tornam-se opositores. E isso é normal. Há possibilidade de adaptação? Leia a armadilha #6 novamente. O que cada um faz bem? Quais são os papeis de cada sócio? Muitas vezes é saudável ter um sócio que completa uma tensão saudável: um inovador com tradicional, um ousado com um pé no chão.

Por outro lado, há um antagonismo de valores que se chocam constantemente? Que travam o negócio em conflitos épicos? Aí, amigo, infelizmente é inspirar-se em Shiva como dito em outro artigo e partir para novos horizontes…

#9: Foco excessivo nos erros

Nos caminhos do autor por empreendimentos que tratava clientes da maior estirpe financeira, foi notado um fenômeno confirmado pelo papa Peter Drucker em sua obra sobre empreendedorismo. Há empresas em que os gestores praticamente celebram os erros.

Sim, celebram. A atenção dada aos erros é imensa. Peter Drucker comenta que se a atenção dada às oportunidades fosse tão grande nessas empresas quanto à dada aos erros, teríamos outros cenários.

Nas startups, ambientes em que não podemos perder tempo, os erros não são ignorados. A estratégia de pivot implica em mudar de direção com rapidez, mas aquele ponto de verificação fica registrado, entendido e para trás.

#10: Não empossar os riscos

A pesquisa ajudou a confirmar alguns comportamentos dos empreendedores quanto ao fracasso. Em qualquer aula de economia ou finanças aprendemos que quanto maior o risco, maior o prêmio. E quando as ameaças se concretizam em fracasso? Temos alguns tipos de reações em personalidades bem diferentes. São eles:

O empreendedor revoltado

Há sempre um culpado para o fracasso do seu empreendimento. Não há qualquer possibilidade de ensinar algo ou de obter boa vontade desse empreendedor para convencê-lo a mudar o que está fazendo. Normalmente pensa que entende de todos os assuntos relacionados à Gestão e que ele pode ensinar qualquer pessoa a exercer certa função.

O empreendedor resignado

Esse empreendedor entende onde errou, entende o que deixou passar mas não fez nada para mudar cenários que vinham se configurando e que, enfim, concretizaram desastrosamente. Quase sempre não pretende empreender mais pois não é atividade para ele, acredita.

O empreendedor persistente

É aquele que entende onde errou, o que deixou passar, fez tudo o que podia para evitar o pior mas, em determinado ponto, não foi suficiente para que a catástrofe viesse. Porém, diferente dos outros, ele leu as pistas e se preparou para o pior, já tem planos para nova tentativa, assim como planejamento financeiro para agir e tentar com todas as forças não errar novamente.

#11: Desorganização

Em novos empreendimentos é natural que acumulemos várias funções. Somos obrigados a exercer papéis que não nos dão o menor prazer, como o de pagar taxas, impostos e fornecedores em dia.

Está aí uma grande armadilha que o próprio autor compartilha com muitos empreendedores. Vale aqui fazer um alerta: desorganização pode ser entendida de outra forma pelo seu cliente. Para ele, se uma promessa não foi realizada, o motivo será o que ele se convencer.

Documente todos os seus procedimentos, propostas e resoluções. E quando algo depender de terceiros, responda e-mails e deixe isso bem claro. Assim, quando alguém lhe cobrar algo indevidamente, você precisará apenas encaminhar um e-mail provando o que afirmou.

Na Gestão temos uma infinidade de nuances que pedem organização. Escute seus colaboradores e lembre-se que uma casa arrumada pode receber visitas a qualquer momento. Você quer estar sempre de braços abertos para seus clientes, certo?

Chega de armadilhas!

Bom, meu caro empreendedor. Este artigo é como um resumo de toda a série. O autor gostaria de falar mais sobre Finanças, pois considera ser outro ponto crucial. Temos nas capitais e em vários interiores por aí uma cultura de empreendedorismo e verdadeiros ecossistemas de startups.

Cada setor de startups tem organizações atuando para conscientizar os empreendedores em cada etapa da sua grande ideia. Pesquise, comece a ir em eventos, se relacione e, principalmente, lendo tudo isto até agora, ligue seu filtro crítico ao máximo.

Para fazer um contraponto às armadilhas, ofereço esta palestra do TED rápida e rasteira. Pode parecer clichê, mas na verdade praticamos alguns deles de forma trôpega por muito tempo. Confira.

Nos vemos nos árduos caminhos dos empreendimentos! Dúvidas? Só perguntar!

Pilares deste artigo

Validade e Confiabilidade nas Pesquisas Qualitativas – Material do III Simtec – UNICAMP

(Villela, Campos, Trigueros e Rigoletto)

Clássicos de Kotler e Drucker

Site Lynda e seus vários cursos valorosos para empreendedores novatos e veteranos

A boa vontade de dezenas de empreendedores do networking do autor que desde já agradecemos por exporem suas dores com tanta boa vontade!